O mar não está pra peixe

Alguma vez você já se perguntou de onde vem o peixe que você come? O filme Roubando dos pobres, produção grega de 2011, aborda como a pirataria na costa africana, promovida por frotas de pesca europeias e asiáticas, devasta todas as formas de vida no oceano ao pescar ilegalmente nas águas territoriais daqueles países, privando os africanos de sua principal fonte de subsistência.

Segundo David Agnew, do Imperial College London, a África perde cerca de um bilhão de dólares por ano – equivalente ao custo das licenças que os pescadores ilegais não pagam[i]. O custo ecológico é incalculável. O imediato é a deterioração dos habitats naturais, devido à pesca de arrastão que destrói os ecossistemas.

Cena de "Roubando dos pobres"

Cena de “Roubando dos pobres”

A pesca predatória provoca acentuada diminuição dos estoques naturais de peixes e crustáceos. Segundo o relatório Food Outlook: Global Market Analysis – 2008, produzido pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO, em inglês), estima-se que tenha ocorrido uma redução média de 80% da biomassa marinha devido à pesca industrial. A cada ano,  milhões de peixes e outros animais como golfinhos, tartarugas marinhas, aves marinhas, tubarões e corais morrem devido a práticas de pesca ineficiente, ilegal e destrutiva.

Segundo dados do Greenpeace[ii], O Revizee (Programa de Avaliação do Potencial Sustentável dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva Brasileira), do Governo Federal, revela que 80% dos recursos economicamente explorados pela pesca marinha encontram-se em sobrepesca, ameaçados ou em processo de recuperação.

Muitas vezes, essa exploração ocorre por meio de métodos antiquados, como as redes de arrasto, que provocam grandes danos aos recursos pesqueiros e ao ecossistema marinho. A rede de arrasto de fundo, por exemplo, captura todos os peixes e espécies marinhas na área varrida por ela e revira o fundo do oceano, arrasando o substrato e os recifes de corais. Grandes quantidades de peixes jovens, espécies protegidas e espécies sem interesse comercial são descartadas mortas ou moribundas.

“Os sofisticados equipamentos de pesca, com radares e sonares, não dão qualquer chance para os cardumes cada vez mais escassos de peixes. A escala de produção destes barcos pesqueiros é de grande magnitude, são verdadeiras indústrias flutuantes que não respeitam qualquer tipo de regulação, seja ela nacional ou internacional, invadem territórios marítimos de países que não têm como proteger suas águas de uma pirataria promovida pelo primeiro mundo”, define Silvio Caccia Bava, sociólogo, fundador e coordenador de projetos do Instituto Pólis, diretor e editor chefe do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.

A União Europeia (UE) possui uma das maiores frotas pesqueiras, e é também o maior importador de pescado. Os estoques europeus estão em estado bem debilitado, enquanto o consumo de peixe continua a aumentar. Cerca de metade do pescado consumido pelos europeus é proveniente de outros locais. A frota da UE pesca cada vez mais longe, colocando pressão sobre os estoques de águas longínquas e sobre as comunidades que dependem destas zonas de pesca.[iii]

Dados da ONG WWF[iv] demonstram que países economicamente desenvolvidos, ou blocos comerciais como a União Europeia, negociam acordos de parceria com os países onde suas frotas querem peixe. A Espanha, por exemplo, firmou acordos com 18 países em 2004, 16 das quais em desenvolvimento – tão distantes como Cabo Verde, no Oceano Atlântico, e Kiribati, no Oceano Pacífico ocidental.Nestas ofertas, o governo beneficiário recebe uma quantia para permitir que barcos estrangeiros pesquem em suas águas.

Outra estratégia bastante utilizada é a transferência do pescado ‘roubado’ de navios do país de onde são recolhidos em alto mar, sem passar pelos portos, evitando assim as fiscalizações.

2a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental – Itinerância   acontece de 01/10 a 03/11 em 17 cidades do estado de São Paulo, e é uma realização da ONG Ecofalante e do Sesc, e conta com apresentação da Mondelēz e patrocínio do Instituto Votorantim e White Martins. O projeto é realizado com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2012.

A programação, gratuita, está disponível no site da Mostra. Para acompanhar de perto os bastidores e outras informações, fique de olho no facebook e no twitter.

Saiba mais sobre o filme Roubando dos pobres aqui: http://www.ecofalante.org.br/mostra/filmes/detalhes/idf/42

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