A conta do lixo

Cena do filme "Trashed"

Cena do filme “Trashed”

Parece mágica. Todos os dias nós, habitantes de cidades como São Paulo, acomodamos nossos resíduos e rejeitos, popularmente chamados de lixo, em sacos plásticos, e depositamos nas calçadas. No dia seguinte, pela manhã, os sacos desaparecem. E pra onde vai todo esse lixo gerado todos os dias, derivado de nosso consumo? Quais os efeitos deste descarte de rejeitos?

Em Trashed, produção do Reino Unido de 2012, o premiado ator Jeremy Irons nos leva a refletir sobre os riscos causados pelo lixo para a cadeia alimentar e o meio ambiente através da poluição do ar, terra e mar. O filme revela fatos surpreendentes sobre os perigos reais e imediatos para a nossa saúde.  É uma conversa global, da Islândia à Indonésia, entre o astro de cinema e cientistas, políticos e pessoas comuns, cuja saúde e meios de subsistência foram fundamentalmente afetados pela poluição de resíduos.

O lixo está em toda parte. No ar, no solo, nos rios e no oceano. Não podemos mais ignorar o reflexo de nosso consumo. Cidades têm que pagar para transportar e armazenar seu lixo cada vez mais longe. Países desenvolvidos exportam seu lixo para países em desenvolvimento. A Alemanha em alguns anos reduziu em até 15% seu lixo domiciliar e comercial com a incineração, possibilidade que vem sendo cogitada no Brasil em alguns municípios. Não há unanimidade e alguns especialistas apontam riscos para a saúde humana por causa das dioxinas resultantes do processo de queima em alta temperatura.

O Brasil tem quase 3 mil lixões, segundo o IPEA. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010, prevê o fim dos lixões e a implantação de aterros sanitários, implantação de coleta seletiva pelos municípios e de processos de logística reversa de embalagens para as empresas. O quão longe estamos disso?

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cada brasileiro produz 1,1 quilograma de lixo em média por dia. No País, são coletadas diariamente 188,8 toneladas de resíduos sólidos. Desse total, em 50,8% dos municípios, os resíduos ainda têm destino inadequado, pois vão para os 2.906 lixões que o Brasil possui.

Em 27,7% das cidades o lixo vai para os aterros sanitários e em 22,5% delas, para os aterros controlados, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE).

O volume de resíduos urbanos (lixo) produzido no mundo deve saltar de 1,3 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões de toneladas até 2025, de acordo com estimativa do Programa da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O lixo que vai para depósitos a céu aberto – conhecidos como lixões, que ainda existem no Brasil – produz bactérias e fungos, atrai baratas, moscas, mosquitos e ratos, que podem transmitir doenças como dengue, febre tifóide, cólera, desinteria, peste bubônica e leishmaniose. O chorume – líquido produzido pelo lixo acumulado ao se decompor – é muito mais poluente do que o esgoto por conter, além da matéria orgânica apodrecida, substâncias químicas e metais tóxicos. Ele contamina o solo e pode chegar aos lençóis freáticos. Além disso, há a poluição do ar. O lixo, queimado ou não, produz gases que fazem mal à saúde, como metano e gás sulfídrico.

Na Baixada Santista, segundo diagnóstico urbano socioambiental regional feito pelo Instituto Polis para o programa Litoral sustentável[i], em relação ao transbordo, transporte e disposição final dos resíduos coletados, cinco aterros servem aos 13 municípios, sendo que três deles estão localizados fora da região – nos municípios de Mauá, Tremembé e Santa Isabel. Santos e Peruíbe são os únicos municípios que possuem aterro sanitário no seu território

Em relação à geração de resíduos, a média identificada no conjunto de municípios gira em torno 1 quilo por habitante por dia, bastante próxima da média nacional (1,1 kg/hab/dia, conforme diagnóstico constante do Plano Nacional de Resíduos Sólidos). Em média, são geradas 2.000 toneladas de resíduos sólidos domiciliares por dia na região, o que corresponde à geração de dois milhões de pessoas. Na alta temporada, esse número pode duplicar e, em alguns casos, triplicar, com o afluxo de turistas. Ou seja, os 13 municípios podem gerar até 4.000 toneladas nestes períodos.

Todos os municípios têm passivo ambiental devido à ocorrência de lixões. Alguns municípios elaboraram projetos de remediação e estão pendentes de aprovação pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), outros não têm recursos para fazer a remediação.

A opção de instalação de uma usina de incineração com geração de energia tem sido debatida pelos municípios há alguns anos.

2a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental – Itinerância   acontece de 01/10 a 03/11 em 17 cidades do estado de São Paulo, e é uma realização da ONG Ecofalante e do Sesc, e conta com apresentação da Mondelēz e patrocínio do Instituto Votorantim e White Martins. O projeto é realizado com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2012.

A programação, gratuita, está disponível no site da Mostra. Para acompanhar de perto os bastidores e outras informações, fique de olho no facebook e no twitter.

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