A crise global da água

Cena do filme "A crise global da água"

Cena do filme “A crise global da água”

O filme “A crise global da água”, de Jessica Yu, mostra como a crise da água será a principal questão a enfrentar neste século. Partindo da realidade norte americana, o filme, de 2011, esclarece o papel fundamental que a água desempenha em nossas vidas, expondo os defeitos do sistema atual e retratando s comunidades que já lutam com seus efeitos colaterais. A ativista americana Erin Brockovich e especialistas reconhecidos pontuam questões importantes no correr da produção.

A super exploração deste recurso natural, sua contaminação por produtos tóxicos à saúde humana, a distribuição desigual pelas regiões do planeta e a busca por este recurso em regiões cada vez mais longínquas são pontos fundamentais para entender a crise atual. Hoje, 770 milhões de pessoas não têm acesso à água, segundo a ONU[i]. Até 2015, esse número pode chegar a 3 bilhões. Estudiosos prevêm que a água será a principal causa de conflitos entre nações. Certas áreas do planeta já apresentam sinais dessa tensão, como Oriente Médio e África. O Brasil, com aparente abundância deste recurso natural (12% da água doce superficial no mundo), já registra falta de água em algumas de suas cidades. Os problemas são causados em boa parte pela distribuição desigual.[ii]

A distância entre as fontes de abastecimento e os centros consumidores é outro problema. A Califórnia, Estados Unidos, depende até de neve derretida no Colorado para garantir seu abastecimento. A distância é também um problema da cidade de São Paulo, que tornou seus rios imprestáveis para abastecimento e capta água em diversas bacias. Segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA), enquanto nas cidades os problemas estão relacionados a aumento de demanda, desperdício e urbanização descontrolada, na zona rural as questões são a destruição das matas ciliares para instalação de agricultura e pecuária e, não raro, agrotóxicos e dejetos destas atividades também acabam poluindo as águas. 90% dos esgotos domésticos e 70% dos efluentes industriais são jogados sem tratamento nos rios, o que gera níveis alarmantes de degradação.

"A Crise Global da Água"

“A Crise Global da Água”

Na Região Metropolitana de São Paulo, o sistema de abastecimento é feito pela integração de oito complexos: Alto Cotia, Baixo Cotia, Alto Tietê, Cantareira, Guarapiranga, Ribeirão da Estiva, Rio Claro e Rio Grande. A poluição e destruição de seus mananciais – dentre os quais os rios Tietê, Pinheiros, Ipiranga, Anhangabaú e Tamanduateí – faz com que a região importe água e invista em sistemas de tratamento avançados para transformar água ruim em água potável.

Mais da metade da água que abastece a população da Região Metropolitana vem da Bacia do Rio Piracicaba, via Sistema Cantareira, a mais de 70km do centro, e inclui seis represas interligadas por túneis. O restante vem dos mananciais que ainda restam na região – Billings, Guarapiranga e Sistema Alto Tietê -, inseridos em áreas de ocupação intensa com a expansão da mancha urbana dos municípios.

Em agosto de 2013 o Governo do Estado de São Paulo assinou um contrato de parceira público privada para construir o maior sistema de abastecimento desde o Alto Tietê, que foi entregue em 1993. A água terá que percorrer 83 km de tubulações para abastecer 1,5 milhão de pessoas do oeste e do sudoeste da Grande São Paulo (o que inclui as cidades de Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista). Esta é a região do estado que mais cresce em número de habitantes. As construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Correa investirão R$ 2,21 bilhões e operarão o sistema por 25 anos.  Mas já há projeções de que a implantação deste sistema também será insuficiente para atender a demanda da Região Metropolitana.[iii]

Estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que, dos 29 maiores aglomerados urbanos do país, 16 precisam achar novos mananciais para garantir o abas­tecimento até 2015. São 472 municípios em busca de novas fontes de água, 56 deles ficam em três Regiões Metropolitanas do estado de São Paulo (Campinas, Baixada Santista e a própria capital).[iv]

2a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental – Itinerância   acontece de 01/10 a 03/11 em 17 cidades do estado de São Paulo, e é uma realização da ONG Ecofalante e do Sesc, e conta com apresentação da Mondelēz e patrocínio do Instituto Votorantim e White Martins. O projeto é realizado com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2012.

A programação, gratuita, está disponível no site da Mostra. Para acompanhar de perto os bastidores e outras informações, fique de olho no facebook e no twitter.

Advertisements