Amargas sementes

Cena de "Amargas Sementes"

Cena de “Amargas Sementes”

A agricultura geneticamente modificada promovida pelas grandes corporações mundiais e seus efeitos sobre a agricultura familiar, vista pelo prisma de uma região na índia onde há uma onda de suicídios entre fazendeiros que não conseguem manter suas terras e suprir as necessidades de suas famílias. Este é o argumento do filme Amargas Sementes, produção indoamericana de 2011 que tem como personagens principais Ramkrishna, um agricultor de algodão no epicentro de uma região onde acontecem os suicídios que luta para manter sua terra, e Manjusha, filha de vizinhos determinada a superar as tradições da vila e se tornar uma jornalista que começa a investigar as mortes para sua primeira matéria.

A produção levanta questões críticas sobre o custo humano da agricultura geneticamente modificada. Grandes empresas cada vez mais controlam a produção de alimentos desde a semente, implantando processos de agricultura geneticamente modificada pelo mundo. O impacto disso na vida das famílias que ainda vivem da agricultura familiar, seja para venda ou para suprir as necessidades da família, é violento.

As sementes geneticamente modificadas patenteadas e vendidas por grandes corporações para os agricultores exigem água e fertilizantes aplicados em horas e quantidades exatas para uma boa safra. Agricultores familiares não contam com aparato tecnológico de sistema de irrigação, costumam contar com as condições climáticas. Além disso, as sementes são patenteadas. Quando o agricultor efetua sua compra, assina um contrato que proíbe a reutilização em safras seguintes (eliminando a tradicional prática de guardar sementes na agricultura), a comercialização e a troca. Ele é obrigado a comprar sementes todos os anos.

“Quando a ciência descobre que pode produzir sementes que aumentam a produtividade, mas não permitem a reprodução da espécie, esta suposta neutra ciência captura todos os pequenos agricultores, que têm de comprar para toda semeadura as sementes transgênicas oferecidas pelas transnacionais. E se não têm com que comprar, não têm como comer”, afirma Silvio Caccia Bava,  sociólogo, fundador e coordenador de projetos do Instituto Pólis, diretor e editor chefe do Le Monde Diplomatique Brasil.

Sucessivas denúncias contra uma das corporações que dominam a tecnologia e a patente de variedades de sementes geneticamente modificadas vêm sendo catalogadas nos EUA e na Índia. O caso específico é de uma semente modificada de milho conhecida como BT, que está associada ao surgimento de uma nova geração de insetos resistentes. A semente traz em sua estrutura o gene de uma bactéria responsável por matar as lagartas comuns nas plantações. A semente também torna as plantas resistentes a um herbicida patenteado pela mesma empresa, e é comercializada em 52 países. Os insetos resistentes devastaram campos de milho nos EUA e na Índia.[i]

Existem hoje, basicamente, quatro cultivos transgênicos sendo plantados comercialmente, todos de exportação: soja, milho, algodão e canola. Esses transgênicos, desenvolvidos pelo pequeno grupo de indústrias de biotecnologia (que englobam a produção de sementes, agrotóxicos e fármacos) que dominam o mercado mundial, foram desenvolvidos para resistir a herbicidas e/ou para matar insetos, não para serem mais produtivos.[ii]

No Brasil, o cultivo de transgênicos cresceu 19,3% em 2011. O país liderou pelo terceiro ano consecutivo a expansão do plantio de transgênicos segundo dados divulgados pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas (ISAAA). A área de soja que utiliza sementes transgênicos no país chegou a 20,6 milhões de hectares (82,7% da produção nacional); a de milho a 9,1 milhões de hectares (64,9% da produção nacional) e a de algodão a 0,6 milhão de hectares (39% da produção nacional).[iii] Há projeções de crescimento de 4,6 milhões de hectares (14%) em 2012/2013.[iv]

2a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental – Itinerância   acontece de 01/10 a 03/11 em 17 cidades do estado de São Paulo, e é uma realização da ONG Ecofalante e do Sesc, e conta com apresentação da Mondelēz e patrocínio do Instituto Votorantim e White Martins. O projeto é realizado com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2012.

A programação, gratuita, está disponível no site da Mostra. Para acompanhar de perto os bastidores e outras informações, fique de olho no facebook e no twitter.

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