Petróleo: o grande vício

Em abril de 2010, exatamente no dia da Terra, aconteceria o maior vazamento de petróleo da história, quando a plataforma da Deepwater Horizon, localizada no Golfo do México, explodiu, causando um dos maiores, senão o maior, desastres ambientais nos Estados Unidos. O petróleo vazou sem interrupção por mais de 80 dias até ser aparentemente apartado em julho do mesmo ano.

Estimativas projetam que mais de 60 mil barris por dia jorraram pela abertura do poço. Ou seja, mais de 1,2 milhão de tonelada de petróleo. O derrame de petróleo resultante prejudicou o habitat de centenas de espécies de aves.A emissão do petróleo no mar afetou a rica vida marinha da região, que possui zonas vitais de desova para peixes, camarões e caranguejos. No local vivem animais ameaçados de extinção, como o jacaré americano, pelicano marrom, tubarão azul, baleias e tartarugas. A pesca no local, na época do acidente, movimentava mais de 40 bilhões de dólares por ano.

O ator Peter Fonda em cena de "Petróleo: o grande vício"

O ator Peter Fonda em cena de “Petróleo: o grande vício”

Em julho de 2010, o presidente norte americano Baraak Obama afirmou que cerca de 75% do petróleo havia sido recolhido ou ‘dissipado pela natureza’. E é exatamente aqui, quando foi anunciada a solução para o problema, com o selamento do poço que vazava petróleo, que o documentário americano “Petróleo: o grande vício” continua a contar a história. Os cineastas Josh Tickell e Rebecca Harrell Tickell foram ao local expor as causas reais do vazamento e o que realmente aconteceu depois que as câmeras de televisão deixaram a região, revelando uma vasta rede de corrupção. Embora o governo norte americano tenha se esforçado para tranquilizar os habitantes da costa da Louisiana, as consequências desse vazamento, ao que tudo indica, serão sentidas por muitas gerações.

Grandes vazamentos de petróleo são ainda hoje um problema sem solução definitiva. Quando o petróleo é derramado, se espalha sobre a superfície da água, sofrendo modificações que transformam seus componentes. No caso do acidente com a Deepwater Horizon, parte do petróleo derramado, principalmente alguns de seus componentes mais tóxicos, pode também estar se espalhando pelo fundo do oceano, alcançando distâncias de até 50 km do poço danificado. O petróleo possui compostos altamente tóxicos, muitos dos quais são reconhecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos como carcinogênicos e mutagênicos.[i]

No Brasil, os vazamentos de petróleo na operação da empresa norte americana Chevron, ocorrido na Bacia de Campos, estado do Rio, em novembro de 2011 e em março de 2012, às vésperas da Rio+20, são um exemplo mais próximo de como estamos despreparados para lidar com a questão. A empresa omitiu informações e dados do vazamento e teve as atividades suspensas no Brasil por mais de um ano, mas foi autorizada a retomar a produção em abril de 2013.[ii]

Em setembro deste ano, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro, o Ibama, a Chevron Brasil, a Chevron Latin America e a Transocean Brasil.[iii]

De acordo com o economista Ronaldo Seroa da Mota, a sequência de acidentes recentes – desde novembro, quando ocorreu o primeiro desastre da Chevron, o Brasil registrou pequenos vazamentos todos os meses – não deixa dúvida de que o padrão de segurança atual não atende ao mínimo necessário para a camada do pré-sal.

“A pergunta que o mercado e a comunidade internacional se fazem é: como o Brasil pretende proteger o mar, para explorar os 4 milhões de barris do pré-sal”, afirma Seroa da Mota. “Se há algo de bom no caso dos vazamentos da Chevron, acredito que seja a oportunidade de colocar em xeque o sistema regulatório da plataforma marítima. Mesmo que os vazamentos de agora sejam pontos fora da curva, sinalizam que podemos ter um desastre de grandes proporções sem um marco regulatório ambiental efetivo”, defende.[iv]

2a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental – Itinerância   acontece de 01/10 a 03/11 em 17 cidades do estado de São Paulo, e é uma realização da ONG Ecofalante e do Sesc, e conta com apresentação da Mondelēz e patrocínio do Instituto Votorantim e White Martins. O projeto é realizado com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2012.

A programação, gratuita, está disponível no site da Mostra. Para acompanhar de perto os bastidores e outras informações, fique de olho no facebook e no twitter.

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