Deus salve o verde

Cena de "Deus salve o verde"

Cena de “Deus salve o verde”

Há alguns anos o número de pessoas que vive em  áreas urbanas ultrapassou o contingente que vive no campo. Em meio às cidades, em especial em suas periferias, mas não só, começa a tomar vulto um movimento de trabalhar a terra e ver brotar o alimento. Este é o argumento do filme “Deus salve o verde”, produção italiana de 2012. Ser agricultor, essa necessidade constitutiva de nossa espécie, em todas as culturas, de trabalhar a terra, ressurge desequilibrando ritmos e deveres da vida urbana.

A narrativa flui por caminhos possíveis e inovadores: o último jardim em uma das periferias mais movimentadas de Casablanca (Marrocos); o cultivo hidropônico em Teresina (Brasil); as hortas comunitárias em Berlim; a produção de vegetais dentro de sacos em uma das favelas de Nairobi (Quênia); jardins suspensos em Berlim, Turim e Bolonha; jardinagem de guerrilha em Berlim.

No Brasil, iniciativas do tipo surgem em diversas localidades. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a atuação do grupo Hortelões Urbanos tem crescido, espalhando hortas por diferentes lugares e atraindo cada vez mais pessoas.

Piqueniques de trocas de sementes são promovidos há alguns anos no Parque Jardim da Luz, onde as pessoas que se conectam com a natureza no urbano trocam experiências, sementes e mudas.[i] [ii] Muitas regiões da cidade viram espaços antes ociosos serem ocupados com cultivo de hortaliças, em praças, grandes avenidas, telhados. E qualquer um pode colocar a mão na terra. Plantar, colher, levar pra casa…[iii]

Em muitos casos, as hortas urbanas estão ligadas ao sustento e à subsistência, garantindo alimentação saudável e renda para famílias nas periferias das cidades.[iv] Na cidade de Teresina, cuja experiência é abordada pelo filme “Deus salve o verde”, são mais de 3 mil famílias atuando em mais de 40 hortas comunitárias, com destaque para o ‘cinturão verde’ de mais de 5 km no bairro Dirceu Arcoverde, considerada a maior horta da América Latina.

O relatório “Cultivando cidades mais verdes na África”, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que se baseia em estudos de caso de 31 países da África, aponta que a agricultura urbana em 10 países já é a mais importante fonte local de produtos frescos[v].

A agricultura urbana em Cuba é uma das mais bem sucedidas no mundo, e sua  rápida expansão se deve principalmente a estratégias governamentais postas em prática a partir da década de 1990, impulsionadas pela necessidade econômica.[vi]

Nova York tem hoje uma das maiores, se não a maior, horta urbana em edifício do mundo. Hoje, os fazendeiros urbanos conseguem produzir cerca de 20 toneladas de verduras por ano que são vendidas a restaurantes orgânicos e a famílias que recebem uma cesta de produtos semanais de maio a outubro.[vii]

2a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental – Itinerância   acontece de 01/10 a 03/11 em 17 cidades do estado de São Paulo, e é uma realização da ONG Ecofalante e do Sesc, e conta com apresentação da Mondelēz e patrocínio do Instituto Votorantim e White Martins. O projeto é realizado com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2012.

A programação, gratuita, está disponível no site da Mostra. Para acompanhar de perto os bastidores e outras informações, fique de olho no facebook e no twitter.

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