Agricultura Familiar

2014 é o Ano Internacional da Agricultura Familiar, apontada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como uma das principais atividades geradoras de novas fontes de trabalho na América Latina e Caribe. Relatório da FAO aponta que na América do Sul, a participação da atividade nos empregos agrícolas é significativa, oscilando nos países analisados entre 55% (Argentina) e 77% (Brasil).

Cena de "Lamento dos Camponeses"

Cena de “Lamento dos Camponeses”

No próximo domingo, 23/11, a 3ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental promove debate com Julie Schroell, diretora do filme “Lamento dos Camponeses”. O filme parte em busca dos últimos agricultores restantes em Luxemburgo, explorando os efeitos da industrialização, a política de subsídios da União Europeia e a ascensão da agricultura orgânica.

Na cidade de São Paulo, no extremo sul, na região da Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos, onde a agricultura familiar garante a subsistência de muita gente, um grupo foi certificado com o selo Agricultor Orgânico pelo Ministério da Agricultura. A produção é escoada em feiras orgânicas, das quais participam cerca de 300 agricultores. Os agricultores fizeram recentemente um ato em favor da agricultura familiar e do restabelecimento da Zona Rural o Município de São Paulo.

Na Zona Leste, a ONG Cidades sem Fome, fundada em 2004, contabiliza 21 hortas implantadas, nas quais trabalham diretamente 115 pessoas, e garante a subsistência de 650 pessoas. Outras 15 hortas estão implantadas em escolas públicas, alcançando 3.972 alunos. A intenção não é competir com feiras ou supermercados, mas beneficiar pessoas que não tem condição de se inserir no mercado de trabalho e quem mora no entorno.

A agricultura familiar, no entanto, está vulnerável aos impactos climáticos, como condições meteorológicas extremas, secas e inundações. E carece de financiamentos vitais como crédito e seguros. O diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, destaca que os agricultores familiares, os pescadores, as pessoas que dependem da floresta, os pastores e as comunidades tradicionais e indígenas são fundamentais para a segurança alimentar na maioria dos países mas, ao mesmo tempo, estão entre as populações mais vulneráveis ​​do mundo.

Questões como estas estarão presentes no debate com a diretora Julie Schorell, que acontece no dia 23 de março, domingo, a partir das 19h, no Cine Livraria Cultura, com a participação de Luiz Carlos Beduschi Filho. O filme será exibido antes, a partir das 17h, no mesmo local.

Conheça os debatedores:

Julie Schroell

Diretora Luxemburguesa que vive e trabalha em Berlim. Julie graduou-se em História Contemporânea e Estudos Cinematográficos na Université Libre in Brussels em 2007, quando dirigiu seu primeiro documentário longa “E stoarkt Steck Minett’ – 100 years of Jeunesse Esch Football Club”. O filme ganhou o prêmio de melhor fotografia  no Mémorimages Filmfestival Reus/Spain em 2008.. Em 2008, Julie retorna a Luxemburgo para filmar o fascinante e indocumentado mundo camponês de Luxemburgo, que se tornou o documentário “Lamentos dos Camponeses”. O filme teve o maior público de 2011 em Luxemburgo. Julie também dirigiu videoclips e instalações audiovisuais. Desde 2012, trabalha como videoartista para teatros em Berlim e Luxemburgo.

Luiz Carlos Beduschi Filho

Professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) da USP. Foi Coordenador do Curso de Graduação em Gestão Ambiental da EACH/USP. Líder do Grupo de Pesquisa em Planejamento e Gestão Ambiental (PLANGEA/EACH), membro do Grupo de Pesquisa em Governança Ambiental (PROCAM/USP) e Pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Suas principais linhas de pesquisa são: a) Desenvolvimento Territorial Rural e Segurança Alimentar; b) Sociologia Econômica: sociedade, mercados e meio ambiente; c) Gestão Compartilhada de Recursos Naturais.
É Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre e Doutor em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo (PROCAM/USP).
Foi professor do Departamento de Economia Rural da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal, da Universidade Estadual Paulista (FCAV/UNESP). Consultor internacional do Escritório Regional para América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), coordenando projetos relacionados ao desenvolvimento sustentável de territórios rurais. Participou como Especialista em Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar em Missões Internacionais de Cooperação Técnica promovidas pela FAO em países como Guatemala, Costa Rica, Equador, Perú, Paraguai, Chile e Moçambique.

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