Conheça o muriqui, mascote da mostra

por Marina Vieira Souza

Nas vinhetas da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, o muriqui se balança no meio da cidade, passeia num carrinho de supermercado e sai filmando florestas, protestos, águas e tudo relacionado ao meio ambiente. Na vida real, porém, o maior primata das Américas vive apenas no que restou da Mata Atlântica brasileira – o que o coloca em ameaça de extinção.

“Gente que bamboleia, que vai e vem” é a tradução de seu nome tupi-guarani. Os índios também os conhecem como povo manso da floresta, por causa de seu comportamento. Muriquis adoram abraços, não há briga de família nem por território, e o convívio em grupos (de até 50 membros) é pacífico.

Do gênero Brachyteles, esses macacos se alimentam de folhas e frutas, e preferem viver na copa das árvores, onde, com a ajuda da cauda preênsil, conseguem dar saltos de 10 metros de distância. A cauda é uma das características marcantes do muriqui, que serve como um quinto membro e compensa o fato deles não terem polegar.

A ideia do macaco como símbolo da Mostra foi inverter os papéis: ao invés do homem observar a natureza, é o muriqui que encontra a câmera e documenta o “efeito humano” no planeta. “Assim como todos os animais silvestres, eles estão perdendo seu habitat para o homem, então o fizemos apresentar esse olhar irônico, interagindo com os temas da Mostra”, conta Chico Guariba, diretor. Sua atitude sapeca também foi intencional: “Já que os assuntos abordados pelos filmes são muito densos e sérios, nós queríamos que a identidade visual fosse mais leve”, completa Daniela Guariba, produtora executiva.

Muriqui nos catálogos da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

Muriqui nos catálogos da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

São duas espécies: o muriqui-do-norte, loiro, e muriqui-do-sul, de pelo castanho ou avermelhado, ambos de face escura.  De cabo a rabo podem chegar a 1,5 m e pesar 15 kg. Ocupam áreas espalhadas entre o sul da Bahia e o norte do Paraná. Principalmente por causa da destruição de seu habitat natural, o muriqui está hoje entre as 100 espécies mais ameaçadas da fauna mundial, com população aproximada de 1500 indivíduos.

Para que ele continue fazendo macaquice, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade lançou em 2010 um Plano de Ação Nacional para Conservação dos Muriquis. As metas envolvem quantificar e monitorar a população remanescente, aumentar a integração das áreas de ocorrência – isto é, territórios que eles habitam -, incentivar pesquisas e educação ambiental e aumentar as áreas de conservação de seu habitat.

Foto: Miguelrangeljr

Foto: Miguelrangeljr

Foto: Paulo B. Chaves

Foto: Paulo B. Chaves

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