JORGE BODANZKY É HOMENAGEADO NA MOSTRA ECOFALANTE DE CINEMA AMBIENTAL

Pré-estreia de “No Meio do Rio, Entre as Árvores” acontece no dia 19/03 no Caixa Belas Artes, seguida de homenagem com a presença de Bodanzky

Foto Jorge Bodanzky

Destaque da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental (que acontece de 19 a 29 de março), uma homenagem ao cineasta brasileiro Jorge Bodanzky reúne títulos importantes do moderno documentarismo mundial, como é o caso de “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1974, codirigido com e Orlando Senna), ao lado de trabalhos mais recentes, ainda de pouca circulação. No total, são sete obras presentes, de produções dos anos 1970/1980 (como “Jari”, “Terceiro Milênio”), aos mais recentes “A Propósito de Tristes Trópicos” (1990) “Pandemonium” (2010) e “No Meio do Rio, Entre as Árvores” (2010). Complementa a programação um episódio da série “Retratos Brasileiros” (do Canal Brasil), dirigido por Evaldo Mocarzel, abordando a carreira de Jorge Bodanzky.

No dia 19/03, após a pré-estreia do filme “No Meio do Rio, Entre as Árvores” (19h, no Caixa Belas Artes), será realizado um debate com a presença de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer. O debate acontece a partir das 20h15, no mesmo local. Resultado de uma expedição ao Alto Solimões, onde foram ministradas oficinas de vídeo, circo e fotografia às comunidades ribeirinhas, dentro de reservas ambientais, “No Meio do Rio, Entre as Árvores” utiliza das as novas tecnologias em busca de uma visão “de dentro para fora”. Do coração da Amazônia para o mundo, ficamos sabendo como é o cotidiano dessas pessoas que habitam rincões remotos do Brasil. Seus anseios, seu imaginário e como resolvem os problemas que enfrentam.

Foto Jorge Bodanzky 2

Os outros filmes de Bodanzky selecionados para a 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental serão exibidos na Cinemateca Brasileira e no Cine Olido. “Iracema – Uma Transa Amazônica” mescla documentário e ficção para revelar – em plena ditadura civil-militar – questões como desmatamento, más condições de trabalho e saúde. Um caminhoneiro, interpretado pelo ator Paulo César Peréio, conduz a narrativa, interagindo com personagens reais. O filme só pode ser oficialmente lançado no país sete anos depois de sua finalização – nesse meio tempo, conquistou premiações e prestígio internacional, tornando-se um clássico.

Codirigido com Wolf Gauer e coproduzida pela televisão alemã, “Jari” (1979) focaliza o projeto homônimo, localizado entre o Pará e o Amapá e voltado à produção de celulose e outros produtos. Trata-se da maior ocupação de terras da Amazônia de que se tem notícia, e provavelmente no mundo, pertencente a um único proprietário, o milionário norte-americano Daniel Keith Ludwig.

Jorge Bodanzky

Realizado em 1981 e também codirigido com Wolf Gauer, “Terceiro Milênio” acompanha o senador Evandro Carreira em uma turnê por suas bases eleitorais pelo Estado do Amazonas. Depoimentos de caboclos, de madeireiros, do sertanista Paulo Lucena, de índios brasileiros e peruanos, de um representante da Funai são colhidos desde a cidade de Benjamin Constant até o vilarejo de Cavalo Cocho. Uma visita à aldeia indígena dos Ticunas e às terras do povo Maiuruna culmina com o depoimento e a ação de José Francisco da Cruz, representante da Santa Ordem Cruzada Apostólica Evangélica. No trajeto, revela-se a potencialidade econômica do Amazonas e seus desvios: a corrupção na política indigenista e a presença de fábricas poluidoras.

“A Propósito de Tristes Trópicos” (1990) refaz a viagem que o antropólogo Lévi-Strauss realizou no Mato Grosso nos anos 1935 e 1938 e que resultou no livro Tristes Trópicos. Há vários elementos no filme: imagens da expedição original, entrevistas com Lévi-Strauss em diferentes momentos e imagens das três expedições à região realizadas pela equipe do documentário.

Já “Pandemonium” (2010) investiga o impacto das mudanças climáticas e os novos desafios na área energética. Dois dos maiores especialistas brasileiros, o físico Rogério Cézar de Cerqueira Leite e o meteorologista Carlos Nobre, apresentam três diagnósticos e propostas que lançam luzes sobre questões cruciais para o desenvolvimento humano no século 21.

A Mostra

A 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental acontece de 09 a 29 de março, exibindo filmes de temáticas ambientais que raramente entram em circuito no Brasil, grande parte deles inédita aqui. As sessões são gratuitas e acontecem em salas de cinemas da cidade de São Paulo, entre eles o Caixa Belas Artes, o Reserva Cultural, o Cine Olido, a Cinemateca Brasileira e o Centro Cultural São Paulo (CCSP). A Mostra promove também debates sobre filmes exibidos e traz realizadores para participarem das mesas.

Desde sua primeira edição, em 2012, a Mostra já atingiu 52 mil pessoas, exibindo 176 filmes em mais de 70 espaços em 17 cidades. Foram promovidos 70 debates. Além da Mostra principal, que acontece na capital paulista, uma versão pocket da programação itinera por cidades do interior do estado de São Paulo no segundo semestre, levando a reflexão e o debate a vários espaços.

A 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é uma realização da ONG Ecofalante correalização da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e SPCine, e é possível graças ao Programa de Apoio à Cultura (ProAC), do Governo do Estado de São Paulo, com patrocínio da Pepsico e da White Martins, apoio da Eaton, do Instituto Votorantim e do Heritage Comfort Inn, e apoio institucional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Embaixada da França no Brasil, Institut Français, Instituto Akatu, Instituto Pólis, Rede Nossa São Paulo, Procam/USP, Le Monde Diplomatique Brasil, Instituto Envolverde, Rádio Eldorado/Estadão, Catraca Livre e Revista Piauí.

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