Mostra Ecofalante promove sessões no Colégio Santa Cruz

Marina Vieira Souza

As consequências da ação predatória humana ao meio ambiente estão sendo cada vez mais sentidas, apontando a urgência na solução dos problemas que criamos com a poluição, desmatamento, ocupações irregulares, monoculturas e outras atividades que contribuem para as mudanças climáticas. É essencial que as novas gerações estejam preparadas para lidar com esses problemas. Com isso em vista, a Ecofalante se une a escolas para exibir filmes que façam os estudantes se sensibilizarem para a construção de uma sociedade mais sustentável.

Pelo segundo ano seguido, o colégio Santa Cruz, da capital paulista, participa da Mostra Escola, numa experiência que pode ser replicada em outros espaços. Pedagogos e professores se reúnem e escolhem, dentre os filmes da plataforma Ecofalante, os mais relevantes em conteúdo, e avaliam a faixa etária adequada para exibição. Os assuntos então começam a ser trabalhados em sala de aula, preparando os meninos e meninas para debaterem criticamente as questões. Só depois assistem ao filme, seguido por um debate mediado por educadores e convidados como André D’Elia, diretor do filme “A Lei da Água”, que participou da exibição no dia 16 de março.

Nesse primeiro semestre de 2015, os alunos do ensino médio se dedicaram ao estudo do Código Florestal e a questões da crise hídrica para debaterem o filme de D’Elia. Já as turmas do oitavo ano do ensino fundamental trabalharam trechos do Plano Diretor Estratégico (PDE) para a cidade de São Paulo e do livro do arquiteto dinamarquês Jan Gehl como preparação para assistirem ao filme “A Escala Humana”, exibido em 30 de abril, que contou com presença do Secretário da Cultura, Nabil Bonduki, no debate.

Nos dois anos de parceria, cerca de 2500 pais e alunos já participaram das atividades no Santa Cruz, que conta com um auditório de projeção na unidade em Pinheiros. Antes promovidas como atividades opcionais, em horários alternativos, as sessões agora fazem parte da grade curricular.

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Os alunos percebem que a inserção dos filmes na grade valida as discussões ambientais. “Fiquei muito animada nas duas vezes em que a Ecofalante veio para Santa exibir os filmes, porque as pessoas pensam: Ah, se a gente não tem essa discussão na escola, ela não é importante, e se você está defendendo isso, é bobo. Aí vem a Mostra, a gente tem a discussão e isso mostra para as pessoas, na cara, que [o debate] é importante e já deveria estar acontecendo”, relata Beatrice Fontenelle-Weber, do terceiro ano do ensino médio.

O uso do audiovisual como material didático é recorrente no Santa Cruz. “É um excelente recurso, ilustrativo, e que deve ser sintético. Traz um exemplo real e próximo do concreto sobre o conteúdo ensinado”, comenta Marcela Steves, professora de geografia que trabalhou o tema de cidades com os estudantes do oitavo ano. A professora destaca ainda a vantagem de os filmes exibidos serem contemporâneos e abordarem questões que embora estejam postas há um tempo, continuam nos afetando, o que demostra que os problemas não são pontuais e nos atingem até hoje.

A escolha do material é criteriosa. Para Cristine Conforti, diretora pedagógica, “os produtos culturais da Ecofalante conseguem agregar um lado acadêmico, com dados informativos e atuais; um jornalístico, com linguagem de divulgação traduzida que permite o debate; e o elemento expressivo da forma artística bem cuidada, de qualidade estética”. A união dos três, para ela, é o torna os filmes tão ricos para serem explorados na escola. “Só o lado jornalístico seria superficial; só o acadêmico, hermético; e o artístico, muito livre”, conclui.

A combinação funciona. Os estudantes se mostram curiosos e engajados nos temas após as exibições. Para Teodoro Minerbo, do segundo ano do ensino médio, além de ser valioso ter acesso a informações não superficiais, que “abrem a cabeça para problemas que não estamos acostumados a vivenciar”, faltam ferramentas para interagir com as questões. “Acho que falta, além da conversa, uma maneira de agir. A gente fica vendo vários problemas e quer fazer alguma coisa em relação a isso, mas não sabe muito bem como. Economizar água no banho vai ser suficiente, por exemplo?”

Os próprios estudantes propõem soluções: sessões e debates mais frequentes incluídos na grade pedagógica, extensão do trabalho para além das aulas para suprir a falta de repertório para lidar com questões ambientais. O professor de biologia Ricardo Paiva argumenta, porém, que a frequência não é tão importante quanto a forma como o conteúdo é trabalhado. “Muitas disciplinas hoje em dia usam o tema da sustentabilidade. É preciso colocar cada questão dentro da sua originalidade, para que elas cresçam. Depende muito de o professor “vender” essa ideia para os alunos, para que ela seja mais relevante dentro do curso e não caia numa repetição temática. Porque no atacado o tema da ecologia tem entrado, mas quando não é mediado pelo professor perde a qualidade e relevância”, observa.

A angústia dos alunos diante dos problemas é a mesma de todo cidadão que se conscientiza e busca soluções e formas de contribuir positivamente para uma vida social em harmonia com o planeta. Incentivar essa percepção e compromisso dentro da escola, para jovens e crianças, é uma das ações básicas mais efetivas para que a mudança seja possível.

As atividades da Ecofalante com escolas acontecem o ano todo, durante o calendário escolar. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 11 3812 0166

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