Mostra Ecofalante realiza oficinas de formação de professores em Americana

Cerca de 160 profissionais da rede pública de ensino participam de oficinas sobre educação ambiental

A Mostra Ecofalante, que chega pela primeira vez em Americana a partir de 26 de outubro, está promovendo oficinas de formação para cerca de 160 professores e coordenadores pedagógicos da região de Americana, num trabalho que antecipa as 95 sessões de cinema ambiental que acontecerão em 13 locais da cidade (clique para mais informações). Os trabalhos se voltam para os temas de resíduos sólidos, o papel da escola na sustentabilidade e a educação ambiental.

Na quinta-feira (22), a oficina contou com participação de 28 coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino de Americana. São profissionais que depois atuarão nas escolas como agentes multiplicadores do conteúdo oferecido pela Mostra, atingindo uma ampla rede de professores e, consequentemente, alunos. A primeira parte da oficina foi ministrada por Edson Grandisoli, coordenador pedagógico da Escola da Amazônia, um projeto de Educação para a Conservação e Sustentabilidade, professor do Ensino Médio da Escola Vera Cruz e consultor em Educação para a Sustentabilidade do Colégio Bandeirantes.

Grandisoli discutiu com os professores o papel da escola na promoção da sustentabilidade socioamental. “Falamos sobre os principais desafios enfrentados na cidade, como a crise hídrica, questões de mobilidade, dos resíduos sólidos, mas principalmente da importância do papel da escola em desenvolver projetos que se preocupem menos com os desafios em si, mas que através dos desafios promovam uma mudança de comportamento nas pessoas”, relata. Segundo o educador, as escolas geralmente se preocupam muito em realizar ações pontuais, como de redução de lixo, do consumo de água, e outras do gênero. “O que passei para os professores é que, enquanto essas ações são, sim, importantes, não devem ser o objetivo final do projeto”, conta. “Seu ponto principal deve ser a transformação das pessoas envolvidas, especialmente os alunos, porque eles vão deixar a escola em certo momento, e é importante que levem esses aprendizados para a vida. Os projetos socioambientais nas escolas têm que ter como objetivo a mudança de comportamento e valores do indivíduos, que depois irão atuar na sociedade”.

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O educador ambiental elogiou a receptividade dos coordenadores e coordenadoras, que se mostraram participativos, debateram e tiraram dúvidas. O segundo momento da oficina foi de projeção do filme “Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo?”, sendo feito em seguida um diálogo sobre os principais temas levantados, e trazendo-os para realidade do Brasil. A conversa foi conduzida por Gina Rizpah Besen, doutora em Saúde Ambiental pela Faculdade de Saúde Pública da USP, realiza o pós doutorado no Instituto de Energia e Ambiente – IEE da USP e trabalha na área de planejamento urbano e regional, com ênfase em consumo sustentável e resíduos Sólidos.

Rizpah apresentou para os educadores a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e as inovações que ela traz. “Hoje não existe mais lixo, o que temos são resíduos (secos, recicláveis e orgânicos), e tudo que não dá pra ser aproveitado é chamado de rejeito. Isso muda completamente a visão de lixo para um agente econômico, uma fonte de renda, algo que pode ser aproveitado”, explica. Outra questão é a hierarquia em relação ao que faz com esses resíduos: primeiro, precisamos não gerar, depois reduzir, reciclar, tratar e só então, em último caso, descartar. “Desde agosto de 2014 só pode ser descartar em aterro o que é rejeito. E não deveríamos mais ter lixões, mas ainda existem 3 mil pelo Brasil”. A desativação dos lixões é uma responsabilidade municipal.

Os participantes trabalharam ainda os aspectos de integração de catadores na reciclagem e a responsabilidade das empresas na redução do consumo e logística reversa (retorno das embalagens para que a indústria encaminhe para reciclagem). Na segunda parte de sua apresentação, Rizpah propôs três estratégias para trabalhar essas questões de consumo e valores de sustentabilidade na escola: feira de trocas, pegada ecológica e criação de composteira/minhocário.

Por último, foi desenvolvida a atividade “world café”, em que os coordenadores e coordenadoras se dividiram em grupos rotativos e discutiram ações e projetos que eles podem desenvolver na escola, ligados tanto ao consumo sustentável com a reciclagem, a reutilização, como trabalhar a Política Nacional de Resíduos Sólidos e também o uso do cinema na escola. “Os resultados foram bem interessantes, várias propostas foram levantadas”, avalia Rizpah.

Com o objetivo de promover mais do que sessões de cinema, a Mostra realiza ainda na cidade seis debates abertos à população, realizados na FAM e na UNISAL. As datas e horários das sessões estão disponíveis em http://www.ecofalante.org.br/mostra. A segunda oficina de formação de professores acontece no sábado (24), para todo o corpo docente da ETEC Polivalente.

“É muito importante mostrar as múltiplas possibilidades do audiovisual usado neste contexto. A sessão não termina nela mesma, há inúmeras possibilidades de explorar os temas em diversas áreas de ensino”, avalia Chico Guariba, diretor da Mostra Ecofalante.

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A Mostra acontece em Americana de 26 de outubro a 8 de novembro de 2015, no Centro de Cultura e Lazer (CCL), Parque Ecológico, Faculdade de Americana (FAM), UNISAL Campus Dom Bosco e Maria Auxiliadora, ETEC Polivalente, Instituto Educacional, Colégio Objetivo, SENAC, SENAI, FATEC e CIEPs São Vito, São Jerônimo e Cidade Jardim.

Uma realização da ONG Ecofalante, com patrocínio da Goodyear e apoio da White Martins, da Reciclo Pepsico, através do ProAC – Programa de Ação Cultural 2015. O projeto conta com apoio ainda das Secretarias Municipais de Cultura, Educação e Meio Ambiente da Prefeitura de Americana e apoio institucional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Le Monde Diplomatique Brasil, Instituto Envolverde, Catraca Livre, Rádio Eldorado, Rádio Estadão, Revista Piauí, Procam/USP, Instituto Akatu, Rede Nossa São Paulo, Instituto Polis, ProAC – Programa de Ação Cultural 2015 e Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

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