Itinerância 2015 da Mostra Ecofalante atingiu mais de 23 mil pessoas

A Itinerância da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental passou por 14 cidades e teve público de 23.400 pessoas

De 8 de setembro a 18 de novembro de 2015 a Ecofalante e o Sesc-SP realizaram a Itinerância da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, a maior até agora. Foram 19 unidades do Sesc na capital e interior e litoral, além de exibições em instituições de ensino, parques e outros espaços culturais, num total de 14 cidades. Em constante crescimento, o público deste ano foi de 23.400 pessoas, em cerca de 300 sessões de cinema e 120 debates.

“A Mostra Ecofalante tem a maior itinerância de cinema no interior do estado, democratizando um conhecimento que antes só chegava à capital. Mais do que exibir filmes, a Mostra é na verdade uma plataforma de informação e conhecimento para, através do audiovisual, debater os os desafios do mundo contemporâneo. Dessa forma, cumpre um papel cultural, educacional e de cidadania de extrema importância”, declara Chico Guariba, diretor.

Participaram este ano as cidades de São Paulo, Santo André, São Caetano, da região metropolitana, Americana, Bauru, Catanduva, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Taubaté, do interior, e Cubatão e Santos, do litoral. Foram exibidos 27 filmes da plataforma Ecofalante, sobre as mais diversas questões socioambientais da atualidade.

A sessão do filme "Happiness" no Sesc Sorocaba foi acompanhada por 240 pessoas

A sessão do filme “Happiness” no Sesc Sorocaba foi acompanhada por 240 pessoas (Foto: Lúcio Érico/SESC-SP)

Públicos recorde

O maior público desta itinerância foi no interior do Estado, em Americana, que recebia a Mostra pela primeira vez. Fruto de um novo projeto, fora do circuito do Sesc, mobilizou um público de 7661 pessoas. “A receptividade na cidade foi enorme, envolvendo instituições de ensino superior, escolas públicas e privadas e as Secretarias Municipais de Cultura, Educação e Meio Ambiente”, explica Chico Guariba. “Tivemos uma programação especial graças ao patrocínio da Goodyear e apoio da White Martins e Pepsico. Foram diversas parcerias que proporcionaram que a Mostra acontecesse em 14 pontos de exibição, criando uma rede de democratização e debate das questões socioambientais, tão importantes para a população”, completa o diretor.

O coordenador de atividades pedagógicas do Senai de Americana, Jorge Luiz Moretto, comemora o sucesso da Mostra entre os alunos, professores e funcionários. “Eles perguntam quando vai ser a próxima, e se não dá para incluir mais filmes. Alguns docentes abordaram nas suas aulas posteriores referências às obras (Tragédia do Lixo Eletrônico e Crise Global da Água), o que também evidencia o êxito da atividade”, afirma. Americana realizou 28 debates acerca dos temas dos filmes.

A Mostra também conseguiu envolver a população da cidade. Márcio Zagallo acompanhou as sessões no Cineclube de Americana, e diz ter ficado muito orgulhoso do evento. “Cada segundo de cada filme foi imperdível. E esses documentários impressionantes foram assistidos por milhares de jovens! Falta de água potável, moradia, degelo no Ártico, agrotóxicos, desmatamento e o lixo eletrônico foram alguns dos aprendizados”, relatou ao Jornal O Liberal. “A esperança é que alguns de nós possam sempre alertar sobre o caos que irá nos afetar diretamente. Só assim teremos pessoas conscientes do quanto podemos viver em harmonia com a natureza e o consumo. Já comecei fazendo a minha parte, separando meu lixo e economizando água”.

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Estudantes da FAM, Unisal, Fatec, Etec Polivalente, Colégio Objetivo, Instituto Educacional, Senac, Senai e CIEPs São Vito, São Jerônimo e Cidade Jardim assistiram e debateram filmes da Mostra

Outra cidade que teve destaque de público, com participação de 6115 pessoas, foi Cubatão. Já é a terceira vez que a cidade litorânea participa, tendo dobrado o público em relação ao ano passado. O crescimento, além do interesse orgânico da população, foi possível graças à expansão no número de locais de exibição, contando desta vez com instituições de ensino. “A cidade sempre abriu as portas para o projeto, pois entendemos que o circuito Ecofalante é de muita importância devido ao histórico da cidade”, declara Wellington Borgs, Secretário da Cultura do município.

“Cubatão sofreu muito no passado com questões ambientais, por conta de poluição, crescimento urbano descontrolado e o consequente volume nos depósitos de lixo, na emissão de poluentes, tudo isso acarretando sérios problemas para população, sua saúde e qualidade de vida. A Mostra Ecofalante chama a atenção da cidade para esses problemas, que a Cubatão luta para que não voltem mais”, completa.

Ações educativas

Preparando a chegada da Mostra em Americana e na Baixada Santista, foram promovidas oficinas de formação para professores e coordenadores pedagógicos da rede pública de ensino.”A formação foi bastante dinâmica, os coordenadores pedagógicos elogiaram a competência dos profissionais, pessoas com amplo conhecimento na área”, conta Neuza Moro, sub-secretária municipal de formação da Secretaria de Educação de Americana. Ela se refere a Edson Grandisoli e Gina Rizpah Bensen, que coordenaram as oficinas sobre educação ambiental e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, para 160 educadores da região. Grandisoli defende que os projetos socioambientais nas escolas têm que ter como objetivo a mudança de comportamento e valores do indivíduos, que depois irão atuar na sociedade, e discutiu com os educadores formas de atingir esse objetivo.

“A escolha do filme Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo? foi perfeita. Os coordenadores já repassaram o conhecimento adquirido para os professores das 10 escolas de ensino fundamental participantes de Americana”, continua Neuza Moro. “O que a Mostra trouxe de novo foi realmente trabalhar essas questões ambientais de forma aprofundada, tendo a linguagem cinematográfica como base e o trabalho coordenado pelo profissionais depois, nas oficinas”, conclui.

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Gina Rizpah Bensen, pesquisadora da USP, conversa com professores de Americana sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos

Na Baixada Santista, a formação teve como base outro filme da Mostra. “Trabalhamos com o filme Efeito Reciclagem por ele ter uma temática que interessava tanto a rede estadual quanto a municipal de ensino. Ambas têm projetos nas escolas que abordam a questão dos resíduos sólidos, como hortas e compostagens”, explica Lilian Ronchi Oliveira, programadora do Sesc Santos. “Essa formação serviu para despertar nos professores a possibilidade de trabalhar esses temas de outras formas, saindo da sala de aula, utilizando filmes que provoquem reflexão, entre outras atividades”, completa Lilian

O caráter educativo da Itinerância foi reforçado esse ano, de forma que quase todas as sessões realizadas foram acompanhadas de debates, rodas de conversa, oficinas e outras atividades extras sobre o tema dos filmes. “Este ano, nas unidades do Sesc , a Itinerância da Mostra ampliou as reflexões trazidas pelos filmes por meio de diversas ações educativas. Percebemos o envolvimento do público nestes debates, discussões e como as pessoas  estão mais sensíveis às questões relacionadas com a  sustentabilidade. Claramente há uma busca por entender o ambiente de maneira mais sistêmica, e as ações educativas colaboraram neste sentido”, avalia Tânia Jardim, da Gerência de Programas Socioeducativos do Sesc-SP.

A Itinerância da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é uma realização da ONG Ecofalante, com patrocínio da Goodyear e apoio da White Martins, da Reciclo Pepsico, através do ProAC – Programa de Ação Cultural 2015. O projeto conta com apoio ainda das Secretarias Municipais de Cultura, Educação e Meio Ambiente da Prefeitura de Americana e apoio institucional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Le Monde Diplomatique Brasil, Instituto Envolverde, Catraca Livre, Rádio Eldorado, Rádio Estadão, Revista Piauí, Procam/USP, Instituto Akatu, Rede Nossa São Paulo, Instituto Polis, ProAC – Programa de Ação Cultural 2015 e Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

 

 

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