Ecofalante fecha o ano com público de 37.500, expansões e novos projetos

texto e infográficos: Marina Vieira

No ano de 2015, as atividades de cinema e debate desenvolvidas pela Ecofalante envolveram cerca de 37.500 pessoas do Estado de São Paulo. O público é a soma da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, de sua Itinerância, realizada junto ao Sesc-SP, das sessões da programação permanente para escolas e formações de professores, além das novas parcerias, como o Cine-Horta Ecofalante, com a Horta do Centro Cultural São Paulo (CCSP), e um projeto piloto com o Senac e o Instituto Democracia e Sustentabilidade.

balanço 2015 números v2

A 4ª Mostra de Cinema Ambiental exibiu filmes nacionais e internacionais nos principais cinemas de São Paulo: Reserva Cultural, Caixa Belas Artes, CCSP, Cine Olido e Cinemateca Brasileira. O engajamento do público ficou evidente pelo número de pessoas que acompanham os debates realizados após as sessões: 6 mil pessoas. “Um lugar onde você tem contato com dezenas de filmes, que estão mostrando diferentes aspectos dessa mudança de realidade que está acontecendo, é fundamental pra gente entrar nesse momento novo e entender nosso papel na construção da solução dos problemas que criamos nas últimas décadas”, resumiu Denis Russo Burgierman, editor da Revista Superinteressante e mediador de uma das discussões.

Uma das inovações de 2015 foram as pré-estreias realizadas com presença dos diretores, de O Sal da Terra e de No Meio do Rio, Entre as Árvores. Realizada na abertura da 4ª Mostra, a pré-estreia de O Sal da Terra foi acompanhada por Sebastião Salgado e família – seu filho, Juliano Ribeiro Salgado, dirigiu o filme ao lado de Wim Wenders. “Estamos num momento em que as pessoas precisam tomar consciência de como lidar com essas questões ecológicas”, disse o co-diretor brasileiro. A pré-estreia de No Meio do Rio, Entre as Árvores foi feita no mesmo dia da homenagem ao diretor Jorge Bodanzky, que esteve presente na sessão e no debate em seguida. Ele considera a temática da Mostra de extrema pertinência, “porque é a grande questão do mundo hoje, o grande dilema que nós vivemos. É absolutamente oportuna a existência dessa Mostra aqui em São Paulo”, afirmou o diretor.

Chico Guariba, Juliano Ribeiro, Lélia e Sebastião Salgado e o produtor David Rosier na abertura da 4ª Mostra, onde ocorreu a pré-estreia de "O Sal da Terra"

Chico Guariba, Juliano Ribeiro, Lélia e Sebastião Salgado e o produtor David Rosier na abertura da 4ª Mostra, onde ocorreu a pré-estreia de “O Sal da Terra”

No segundo semestre, uma seleção de filmes da plataforma Ecofalante itinerou pelo Estado de São Paulo, em 14 cidades: São Paulo, Santo André, São Caetano, da região metropolitana, Americana, Bauru, Catanduva, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Taubaté, do interior, e Cubatão e Santos, do litoral. “A Mostra Ecofalante tem a maior itinerância de cinema no interior do estado, democratizando um conhecimento que antes só chegava à capital. Mais do que exibir filmes, a Mostra é na verdade uma plataforma de informação e conhecimento para, através do audiovisual, debater os desafios do mundo contemporâneo”, define Chico Guariba, diretor da Mostra.

Foram diversos locais de exibição, entre instituições de ensino e cultura e as unidades do Sesc, que promoveram atividades complementares em todas as sessões. “Percebemos o envolvimento do público nestes debates, discussões e como as pessoas estão mais sensíveis às questões relacionadas com a sustentabilidade. Claramente há uma busca por entender o ambiente de maneira mais sistêmica, e as ações educativas colaboraram neste sentido”, avalia Tânia Jardim, da Gerência de Programas Socioeducativos do Sesc-SP.

Pela primeira vez em Americana, a Mostra já atingiu um público de 7660 pessoas. As parcerias na cidade tornaram possível essa estreia bem-sucedida, que contou com apoio de instituições de ensino públicas e privadas, secretarias de Cultura, Educação, Turismo e Meio Ambiente, patrocínio da Goodyear e apoio da White Martins e Reciclo Pepsico. Outro destaque da itinerância foi Cubatão, que recebeu o evento pela terceira vez e envolveu mais de 6600 pessoas. “Cubatão sofreu muito no passado com questões ambientais, por conta de poluição, crescimento urbano descontrolado e o consequente volume nos depósitos de lixo, na emissão de poluentes, tudo isso acarretando sérios problemas para população, sua saúde e qualidade de vida. A Mostra Ecofalante chama a atenção da cidade para esses problemas, que a Cubatão luta para que não voltem mais”, declara Wellington Borges, Secretário da Cultura do município.

balanço 2015 publico v2

Educação para o desenvolvimento sustentável

As ações educativas guiaram o trabalho da Ecofalante em 2015, que consolidou uma programação permanente para escolas, disponível ao longo do ano nos espaços de exibição da própria escola ou nas bibliotecas São Paulo e do Parque Villa-Lobos e no Museu da Imagem e do Som. Fora feitas sessões para alunos dos colégios Santa Cruz, Bandeirantes, Albert Sabin, Peretz, Centro Paula Souza, e diversas escolas estaduais. Aluna do terceiro ano do ensino médio no Santa Cruz, Beatrice Fontenelle-Weber diz ter ficado muito animada com as sessões “porque as pessoas pensam: se a gente não tem essa discussão na escola, ela não é importante, e se você está defendendo isso, é bobo. Então vem a Mostra, nós temos a discussão e isso mostra para as pessoas que o debate é importante e já deveria estar acontecendo”, afirma.

O Circuito Universitário da 4ª Mostra Ecofalante e as sessões em instituições de ensino superior da Itinerância totalizaram um público de quase 6 mil universitários de diversas áreas, que tiveram debates envolvendo seus professores, de forma a aprofundar a consciência ambiental nos futuros profissionais especializados. Tiveram sessões da Mostra Ecofalante a Universidade de São Paulo (Each e FSP), FAAP, Faculdade Cásper Líbero, Senac, Mackenzie, Universidade São Judas Tadeu, Unimonte, Unisanta, Unisantos, Faculdade de Americana, Unisal, UFSCAR e FATEC de Americana.

americana

Para incentivar o uso do audiovisual como ferramenta na educação ambiental, a Ecofalante também promoveu oficinas de formação para professores e coordenadores pedagógicos da rede pública da região de Americana e da Baixada Santista. Além de discutir a linguagem cinematográfica e o papel da escola na formação de cidadãos conscientes, foi trabalhada com os educadores a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o filme Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo?.

“A escolha do filme foi perfeita. Os coordenadores já repassaram o conhecimento adquirido para os professores das 10 escolas de ensino fundamental participantes de Americana”, declara Neuza Moro, sub-secretária municipal de formação da Secretaria de Educação de Americana. “O que a Mostra trouxe de novo foi realmente trabalhar essas questões ambientais de forma aprofundada, tendo a linguagem cinematográfica como base e o trabalho coordenado pelo profissionais depois, nas oficinas”, conclui.

A Mostra Ecofalante lançou ainda neste ano o Concurso Curta Ecofalante, no qual estudantes universitários e de ensinos médio e técnicos terão a chance de exibirem seus filmes durante a 5ª Mostra. O objetivo é incentivar a produção audiovisual e fomentar o debate, desde cedo, sobra as questões urgentes do mundo.

1511214_772521602817668_7710602781243797862_n

O jornalista Denis Russo, a antropóloga Bela Feldman, o cientista Délcio Rodrigues e o diretor de “ThuleTuvalu” Matthias Von Guten no debate sobre mudanças climáticas

Novas parcerias

Outro projeto lançado em 2015 foi o Cine-Horta Ecofalante, realizado junto com a Horta do CCSP. São sessões mensais de cine-debates que discutem a relação do meio urbano com a produção de alimentos. Já foram exibidos os filmes Mais Que Mel, A Fé nos Orgânicos, O Sabor do Desperdício e O Veneno Está na Mesa 2, e participaram dos debates representantes de movimentos como o Slow Food, a permacultura, ecogastronomia, hortelões urbanos e agricultura orgânica. A próxima sessão acontece no dia 12 de dezembro, às 15h, com exibição de Deus Salve o Verde.

“O diálogo sobre temas que permeiam as hortas comunitárias é uma estratégia para extrapolar o envolvimento do público para além da horta do CCSP, buscando influenciar hábitos diários e gerar atitudes mais sustentáveis. A exibição dos filmes opera como uma ferramenta de reflexão sobre a prática, criando novas perspectivas e desenvolvendo um olhar mais sistêmico para as ações de ocupação do espaço público”, diz Lana Lim, uma das realizadoras do projeto.

Diversas outras parcerias evidenciam a grande demanda por trabalhos que unam cinema, educação e sustentabilidade. Na semana do meio ambiente, o Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (PNUMA) e a ONU Verde promovem, com apoio da Ecofalante, duas exibições do filme Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo? no Cine Brasília. Também em junho foram feitas sessões de cinema e debates nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto e Sorocaba, em parceria com a SP Leituras, o Cine Caixa Belas Artes e os SESCs Ribeirão Preto e Sorocaba. Os filmes foram A Crise Global da Água, A Escala Humana, Amazônia Desconhecida e Animais Unidos Jamais Serão Vencidos.

Em setembro, a Ecofalante e o IDS participaram da Semana da Cidadania do Senac, com exibição e debate do filme O Preço da Democracia. No mesmo mês foi realizado o II Seminário Internacional de Boas Práticas de Sustentabilidade, promovido pelo Centro Paula Souza para professores de Etecs e Fatecs (Escolas e Faculdades Técnicas Estaduais de São Paulo), sobre O papel do cinema na educação para a sustentabilidade. Foram feitas ainda, ao longo do ano, sessões no Cineclube Socioambiental Crisantempo, de São Paulo.

Estudantes se reúnem na Biblioteca do Parque Villa-Lobos antes da sessão de cinema Ecofalante

Estudantes se reúnem na Biblioteca do Parque Villa-Lobos antes da sessão de cinema Ecofalante

Novidades

Em 2016, a projeção é que a Ecofalante continue crescendo e atingindo mais pessoas nos projetos já consolidados, e novos trabalhos sejam desenvolvidos em projetos inéditos. A 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que vai acontecer em março, na cidade de São Paulo, está na fase de curadoria dos filmes e eixos temáticos. A Competição Latino-americana fechou as inscrições com mais de 220 títulos de quase todos os países latinos, se tornando um dos mais importantes programadas da Mostra. Além dela se mantém o Circuito Universitário/Mostra Escola, o Panorama Histórico, a Mostra Contemporânea Internacional, a Homenagem e, agora, o Concurso Curta Ecofalante.

Acompanhe os canais da Mostra para novas informações: facebook.com/mostraecofalante e ecofalante.org.br/mostra

 

Advertisements