Muriqui da Mostra Ecofalante volta a ocupar a cidade

por Marina Vieira Souza

Do topo de um edifício, um MuriKing-Kong registra algo chegando por meio de uma câmera de filme. Abaixo, uma cidade transita entre o caos e a fluidez, eclética, sem protagonistas, funcionando no limite da concentração. Apesar de ter elementos de todo centro urbano no mundo, a identidade visual da 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental conversa bem com a realidade de São Paulo, cidade onde o festival acontece anualmente.

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A relação da vida urbana com os desafios ambientais enfrentados na atualidade tem permeado a Mostra Ecofalante desde seu início. “A ideia vem sendo passar essa mensagem de que as questões ambientais estão diretamente ligadas à vida das pessoas, que não são algo distante, limitado a imagens de natureza, de animais em extinção, desmatamento ou degelo das calotas polares”, explica Chico Guariba, diretor da Mostra. “O modo como vivemos na cidade afeta as regiões rurais, de matas nativas e reservas, e vice-versa”.

As cidades já são o meio ambiente de metade das pessoas no mundo, e a ONU projeta que até 2050 esse número suba para dois terços da população. Caminhamos para uma sociedade de cidades, que depende de sistemas de transporte, abastecimento de água, esgoto, manejo de comida e do lixo muito bem pensados. Administrar o impacto da alta densidade humana na Terra, com tudo que isso acarreta, é garantir a sustentabilidade da vida no século 21.

Com isso em mente, as peças gráficas da 5ª Mostra foram sendo desenhadas. “A princípio saiu uma cidade mais sonhada do que uma real. Depois conversamos e revisamos, e no fim foi interessante adicionar mais elementos caóticos porque ficou esse embate entre a cidade real e aquela desejada”, conta Tadzio Saraiva, designer do projeto. “Ao mesmo tempo que temos ícones urbanos de uma grande cidade, com os prédios, arranha-céus e o trânsito, tem um elemento lúdico, no traço simples, nas cores, algo mais ingênuo. Demos esse tratamento bem-humorado pela esperança de ter uma transformação. De, apesar do caos e da bagunça, ter uma visão positiva e propositiva. Tanto que você vê as bicicletas no meio dos carros, prédios mais bonitos… Buscamos trazer um pouco de poesia para as peças gráficas, já que os temas são tão espinhosos. A ideia é mostrar que tem um caminho, convidar as pessoas a se envolverem nessa briga, porque ela é legal, não é só catástrofe”, completa.

Acompanhe o muriqui, mascote da Mostra, e outras novidades pela página: facebook.com/mostraecofalante

 

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