Mais de 13.800 estudantes já participaram de sessões de cinema e debates desde março

Atividades em Escolas Técnicas Estaduais (ETECs), universidades, Fábricas de Cultura e colégios ampliam público da 5ª Mostra Ecofalante

Texto e infográficos: Marina Vieira
Foto: Júlia Leão

Entretenimento casado com a reflexão e o debate. Essa vocação da Mostra Ecofalante vem se consolidando a cada edição, o que se confirma com o público recorde de estudantes que já participaram de sessões de cinema e debates promovidos esse ano desde o início de março.

Ao todo, 13.860 pessoas foram envolvidas nas atividades, que integram dois dos programas da Mostra: Circuito Universitário e Mostra Escola. Uma espiada nas localidades por onde já passou a 5ª Mostra dá uma ideia da abrangência geográfica dessas sessões, que já cobriram uma área de 550 km².


Mapa interativo da Mostra Ecofalante em 2016

Foram promovidas 74 sessões, em 34 locais. Os 17 filmes exibidos abordam questões como resíduos sólidos, especulação imobiliária, gentrificação, contaminação, mudanças climáticas, agrotóxicos e seus efeitos em nossa saúde, dentre muitos outros. Quase todas as sessões foram seguidas de debates, envolvendo mais de 70 professores e/ou convidados, buscando aprofundar um pouco mais os temas e trazê-los o mais proximamente possível da realidade das pessoas que assistiram aos filmes.

“A Mostra tem chegado a novos públicos, levando o debate sobre temas socioambientais a diversas regiões da cidade. Estamos ampliando nosso alcance, diversificando nosso público e incentivando a reflexão de uma forma lúdica, a partir da boa experiência cinematográfica”, define o Diretor da Mostra Ecofalante, Chico Guariba.

Circuito Universitário já mobilizou sete instituições de ensino

As sessões e debates do Circuito Universitário da 5ª Mostra Ecofalante mobilizaram até o momento sete instituições de ensino superior: Senac, Faculdade Cásper Líbero, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Escola de Artes Ciência e Humanidades – EACH USP Leste, Faculdade de Saúde Pública da USP, Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Universidade São Judas (campi Mooca e Butantã). Ao todo, foram realizadas 18 sessões envolvendo 34 professores e convidados em debates com os estudantes.

No Centro Universitário Senac, em Santo Amaro, aconteceram três sessões em um único dia, envolvendo quase mil estudantes de diversos cursos em exibições e debates. Este é o segundo ano que o Senac participa do Circuito Universitário. Foram exibidos os filmes “Thule Tuvalu”, “Favelas: as cidades do amanhã” e “Trashed: para onde vai o nosso lixo? ”.

Na Faculdade Cásper Líbero, que participa também pelo terceiro ano consecutivo, centenas de estudantes assistiram a filmes que abordaram lixo eletrônico, urbanização e mudanças climáticas, temas que foram aprofundados em debates com professores da casa.

Roberto D’Ugo Júnior, Coordenador de Ensino de Rádio, TV e Internet da Cásper Líbero, avalia que a Mostra representa excelente oportunidade para sensibilizar os futuros realizadores audiovisuais para a relevância das temáticas ambientais: “As três sessões que tradicionalmente realizamos no Teatro Cásper se expandem sempre em debates com pesquisadores e profissionais das mídias eletrônicas, com discussões sobre linguagem, mas também contextualizando a produção audiovisual em relação à sustentabilidade, à diversidade cultural, às políticas públicas socioambientais e aos modos inovadores e responsáveis de produção e consumo. Esses temas desdobram-se também em atividades práticas de alunos de Produção de TV, no segundo ano”.

D’Ugo Júnior aponta ainda que o Concurso Curta Ecofalante, cuja primeira edição acontece este ano, é uma iniciativa catalisadora capaz de estimular realizações e ações integradoras na Faculdade: “Pensamos em articular a produção de curtas, reportagens e campanhas ambientais unindo alunos de RTVI, Jornalismo, RP e PP. Estamos desenhando também maneiras de incentivar a produção universitária de vídeos ambientais em diálogo com a iniciação científica, por meio de colaboração com nosso Centro Interdisciplinar de Pesquisa”.

Leandro Giatti, professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, avalia que os filmes são interessantes por oferecem um olhar diferente sobre os temas: “Como professores, temos o desafio constante de estimular o debate, fazer os alunos se apropriarem dos temas. O cinema oferece uma quebra na relação tradicional de aluno-professor; através do som, da imagem e do enredo, ele sensibiliza de uma maneira diferente, que dialoga diretamente com nossos objetos de estudo”, pondera.

ETECs – Parceria acertada

Além de expandir o já tradicional circuito universitário e continuar o trabalho com escolas, consolidado em 2015 com a programação permanente, a Ecofalante estreou uma parceria com o Centro Paula Souza (CPS), envolvendo 13 ETECs da Região Metropolitana de São Paulo. “O sucesso desse projeto piloto, só nesse primeiro mês de atividades, comprova que foi uma parceria acertada”, comemora Chico Guariba, diretor da Mostra. Foram realizadas 36 sessões entre os meses de março e abril, reunindo um público de 6.069 alunos.

“Em anos anteriores contamos com a participação de algumas ETECs do interior do estado de São Paulo. Em decorrência do êxito dessas ações, o Centro Paula Souza, por meio do apoio do Gabinete da Superintendência, decidiu tornar-se parceiro da Mostra Ecofalante”, explica Amneris Ribeiro Caciatori, Assistente de Supervisão Educacional do CPS. A proposta da Mostra se alinha com os preceitos do Centro Paula Souza, de formar alunos-cidadãos, conscientes do mundo globalizado em que vivem, e que saibam agir diante da realidade.

Os alunos se mostravam interessados em debater as questões socioambientais levantadas. Em quase todos os debates realizados após as exibições do filme “Trashed: para onde vai o nosso lixo” – o mais exibido, escolhido pelos docentes por apresentar uma cobertura ampla da questão do lixo no mundo -, os estudantes questionaram nossos atuais modelos de produção e consumo. Ficou evidente o poder de sensibilização e conscientização que os filmes oferecem.

“Estamos falando com as pessoas que irão cuidar desse mundo. O trabalho da Ecofalante é muito importante nesse sentido, de mostrar para eles que podemos agir de forma diferente, para que tenhamos uma vida e a aproveitemos de uma maneira mais inteligente que a geração anterior”, reflete Ieda Guimarães, diretora da ETEC Martin Luther King.

DSC05010(1)

Alunos do Colégio São Luis foram a uma sessão da Mostra no Cine Caixa Belas Artes

Cinema nas Fábricas

De abril a maio, dez Fábricas de Cultura do Estado de São Paulo recebem sessões da 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental. Ao todo, nove filmes estão sendo exibidos em unidades localizadas em Capão Redondo, Jaçanã, Brasilândia, Jardim São Luís, Vila Nova Cachoeirinha, Vila Curuçá, Sapopemba, Itaim Paulista, Belém e Cidade Tiradentes.Quase 800 pessoas já participaram das sessões.

“Este ano as Fábricas de Cultura têm a felicidade de participar da Mostra, espraiando títulos necessários e contribuindo para a ampliação do debate e das reflexões acerca de temas urgentes. Integrar a mostra enfatiza o compromisso de contribuir para a sensibilização do olhar, por meio do cinema e da arte, para pautas diversas nas áreas de meio ambiente, educação, cultura e mídia”, define Paola de Marco, Coordenadora de Articulação e Difusão das Fábricas de Cultura – Poiesis.

As Fábricas são um projeto da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Criadas com o objetivo de ampliar o conhecimento cultural por meio da interação com a comunidade, oferecem cursos e uma programação cultural diversificada e gratuita. Cada Fábrica de Cultura é um centro de formação cultural e de articulação entre diferentes atores comunitários, o lugar onde convergem redes plurais de produtores e espectadores de diferentes formas de ações culturais.

Colégios da capital

Nos sete colégios e escolas que já receberam sessões da Mostra esse ano, o público foi de quase 4 mil alunos. Participaram os colégios Oswald de Andrade, São Luís, Bandeirantes, Santa Cruz, Vértice, Anglo (Morumbi) e a Escola Móbile. Para intensificar a sensibilização provocada pelos filmes, as equipes pedagógicas de cada instituição prepararam atividades preparatórias sobre os temas abordados e professores de diversas áreas, como geografia, biologia e filosofia, guiaram as conversas após as exibições.

No colégio Vértice, os alunos foram incentivados a propor soluções para o desafio do descarte de lixo. Das turmas de 9º ano que assistiram ao filme “Trashed: para onde vai o nosso lixo? ”, foram escolhidas três propostas: uma experiência a ser gravada, onde deixariam um pedaço de lixo no chão ao lado de um cesto, registrando a reação dos colegas e promovendo um levantamento de quantos ignorariam e quantos realmente se importariam. Os que jogassem no cesto seriam entrevistados e possivelmente recompensados de alguma forma. Outra ideia foi fazer um levantamento de dados de quanto lixo a escola produz, e expor os resultados num mural, para todos verem. A terceira intervenção bolada pelos estudantes seria a construção de uma lixeira gigante, para chamar a atenção das pessoas para o problema.

Luis Otavio Targa, professor no colégio Vértice, acompanhou as atividades, que considera relevantes por fugirem do padrão da sala de aula. “Muito conhecimento foi gerado nas conversas entre eles sobre os temas. Isso estimula que eles se reconheçam como parte do problema e também da solução, como agentes de mudança. É muito legal também eles perceberem que o cinema pode ter esse caráter informativo e até revolucionário”, comenta Targa.

infográfico horizontal v4

Em junho nas salas de cinema

A 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental chega às salas de cinema de 15 a 29 de junho e exibirá mais de cem filmes, grande parte deles inéditos no Brasil, incluindo desde produções contemporâneas de diversos países até clássicos do cinema francês de diferentes épocas, sempre abordando temáticas socioambientais. São filmes do Canadá, Alemanha, Turquia, EUA, China, França, Grécia, Itália, Israel, Índia, Reino Unido, Noruega, Bélgica, Luxemburgo, África do Sul, Quirguistão, Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Uruguai, Paraguai, Chile, entre outros países.

As sessões são gratuitas e acontecem em salas de cinema da cidade de São Paulo. Em breve a programação será divulgada nos canais da Mostra.

A 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é uma realização da ONG Ecofalante e do Programa de Apoio à Cultura (ProAC) do Governo do Estado de São Paulo, com patrocínio da White Martins e da Reciclo Pepsico e correalização da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e pela Spcine. A Mostra tem apoio institucional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Embaixada da França no Brasil, Institut Français, La Cinémathéque Française, Le Monde Diplomatique Brasil, Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, São Paulo Turismo (SPTuris), Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica, Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA), Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE), Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), Instituto Akatu, Instituto de Energia e Ambiente (IEE)/USP, Fábricas de Cultura (Poiesis e Catavento), Videocamp, Rede Nossa São Paulo, Instituto Envolverde, Revista Piauí, Catraca Livre, Rádio Eldorado, Conexão Planeta e Horizonte Educação e Comunicação.

Advertisements