Cooperativa de São Bernardo cria troféus da Mostra Ecofalante

macacos

Troféus da 5ª Mostra Ecofalante em processo de produção pela Unimáquinas

A Unimáquinas, cooperativa localizada em São Bernardo do Campo, é a responsável, juntamente com a ONG Design Possível, pela criação dos troféus da 5ª Mostra Ecofalante. Feitos em inox, com reaproveitamento de peças e chapas, os troféus trazem mais uma vez um muriqui, mascote da Mostra, interagindo com outros elementos. As peças serão entregues aos diretores dos melhores filmes da Competição Latino-Americana e aos estudantes vencedores do Concurso Curta Ecofalante.

A execução dos troféus sempre privilegia o reaproveitamento de materiais e a participação de empreendimentos de economia solidária. Nos anos anteriores os troféus foram criados pelo Projeto Tear e Cristais São Marcos, usando como elementos madeira e vidro. Agora em 2016 a opção foi por metal, simbolizando a extração de recursos naturais e seu processamento, na maioria das vezes nocivos ao meio ambiente e às pessoas ao seu redor por sua escala predatória.

A concepção ideológica do projeto do troféu da Mostra é de Ivo Pons, do Design Possível, que pelo terceiro ano consecutivo dá forma plástica a inspirações e indagações trazidas pela Ecofalante: “Uma das coisas mais bacanas dos troféus, além de interpretarem o sentido da Mostra e serem executados por empreendimentos de economia solidária, é o aprendizado dos próprios empreendimentos, que se dispõem a parar suas atividades e construir conosco algo novo, porque conseguem ver o valor da Mostra e o alinhamento com seus ideais. No fim das contas, somos apenas facilitadores da materialização, em peça, do próprio sentido da Mostra”, define ele.

“É uma coisa nova pra nós [a criação de um troféu], mas como é um material que já estamos acostumados a mexer, o inox, tudo foi bem. Uma parte do processo tivemos que terceirizar, porque não tínhamos condição de fazer aqui – o corte do macaco, a laser, na chapa. De modo geral a gente achou que o troféu ficou bom”, avalia o secretário da Unimáquinas, Marcos José Lopes.

cooperados

A escolha da cooperativa veio após uma consulta à Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil (Unisol Brasil), que verificou dentre aqueles empreendimentos constituídos a partir de empresas recuperadas os que teriam disponibilidade para participar do processo. “Em um momento difícil economicamente, escolher uma indústria onde os trabalhadores se organizaram e assumiram a empresa no modelo de autogestão, e com economia solidária, é uma inspiração”, afirma Pons.

A Unimáquinas é uma cooperativa que surgiu a partir da falência de uma empresa, em 2010. Parte dos antigos trabalhadores criaram uma cooperativa, ficaram como fiéis depositários do maquinário e começaram um novo processo de produção, fazendo a transição de empresa para cooperativa.

“No começo foi muito difícil, porque estávamos acostumados a trabalhar só em produção. E a cooperativa a gente tem que administrar, ir para a rua vender, então tudo foi novo, foi um aprendizado mesmo. Você não trabalha só em uma área especifica, todo mundo faz de tudo. Tem que fazer o administrativo, estar na rua buscando cliente, produzindo. Foi difícil nos acostumarmos a fazer tudo”, avalia Domingos Anjos Lago, atual diretor da cooperativa.

O grupo trabalha com componentes metálicos e desenvolve máquinas por encomenda, de acordo com necessidades muito específicas de cada cliente. É deles, por exemplo, a peça que modela as pastilhas Garoto, desenvolvida ainda antes de eles se transformarem em cooperativa. Os maiores clientes são da indústria farmacêutica. As máquinas são desenvolvidas para dar forma aos comprimidos e cápsulas, em tamanhos variados e muitas vezes pequenos, pouco comuns. Mas a carteira de clientes inclui ainda indústria alimentícia, veterinária, de cosméticos e química em geral.

peças divulfação

“É bom não ser empregado, ter seu próprio negócio. As dificuldades existem em todo lugar, mas só de poder decidir, dentro da sua própria empresa, as prioridades, poder reunir todo mundo para melhorar um produto, isso já é muito bom”, define Lopes. “Começamos a ser reconhecidos pelo mercado, temos uma retirada mensal razoável hoje, e nossa maior vitória foi a compra da massa falida da empresa em 2015”.

Esse era um fantasma que perseguia o grupo. Como fiéis depositários dos equipamentos da empresa falida, sabiam que em algum momento tudo iria a leilão, e o temor era não terem recursos para adquirir os equipamentos. “Ficar sem as máquinas significava quebrar a cooperativa, porque muita coisa a gente sempre fez com esse equipamento. Conseguir comprar tudo foi a nossa maior conquista, depois de muita luta para economizar os recursos para isso. Todo mês guardávamos uma parte do faturamento, sem saber se o que tínhamos daria para arrematar as máquinas. E conseguimos”, avalia Lago.

Hoje a Unimáquinas conta com oito cooperados e quatro celetistas – dois registrados e dois em fase de testes. O integrante mais jovem tem 23 anos e o mais velho 60. A média é de 40 a 45 anos. O faturamento mensal do grupo gira em torno de R$ 100 mil.

A Mostra

A 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental acontece de 15 a 29 de junho em salas de cinema e outros espaços da capital paulista. Uma realização da ONG Ecofalante e do Programa de Apoio à Cultura (ProAC) do Governo do Estado de São Paulo, o evento conta com patrocínio da White Martins e apoio da Goodyear e da Reciclo Pepsico. A correalização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Spcine – Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo e Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo.

A Mostra tem apoio institucional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Embaixada da França no Brasil, Institut Français, La Cinémathéque Française, Le Monde Diplomatique Brasil, São Paulo Turismo (SPTuris), Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica, Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA), Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE), Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), Instituto Akatu, Instituto de Energia e Ambiente (IEE)/USP, Governos Locais Pela Sustentabilidade (ICLEI), Matilha Cultural, Fábricas de Cultura (Poiesis e Catavento), Rede Nossa São Paulo, Instituto Envolverde, Videocamp, Catraca Livre, Conexão Planeta e Horizonte Educação e Comunicação.

Acompanhe a programação nos canais da Mostra:

-Site:  http://www.ecofalante.org.br/mostra

– Blog: https://mostraecofalante.wordpress.com

– Facebook: facebook.com/mostraecofalante/

– Twitter: @MostraEco

– Youtube: bit.ly/MostraEcoYT  

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