Sessão Especial – Cineasta do Delírio

* Texto sobre “Eis os delírios do mundo conectado” produzido originalmente para o catálogo da 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, realizada de 1º a 14 de junho de 2017, em 30 salas de exibição em São Paulo. Acesse www.ecofalante.org.br/mostra

Desde que foi revelado durante o movimento do Novo Cinema Alemão nos anos 1960, quando surpreendeu o mundo com filmes como Fata Morgana, Aguirre, A Cólera dos Deuses e O Enigma de Kaspar Hauser, até sua obra recente, que mereceu distribuição planetária – incluindo O Sobrevivente, com Christian Bale, e Vício Frenético, estrelado por Nicolas Cage e Eva Mendes –, Werner Herzog não para de surpreender seus fãs e os espectadores em geral.

Entre os 68 títulos dirigidos pelo cultuado cineasta até o momento, merece destaque a considerável presença de documentários, que se revelam tão impressionantes quanto seus delírios no campo da ficção.

Incursões em torno de vulcões prestes a entrar em erupção (La Soufrière), a Guerra do Golfo a partir da perspectiva de um observador quase alienígena (Lições da Escuridão), um piloto que escapou de cativeiro desumano durante a Guerra do Vietnã (O Pequeno Dieter Precisa Voar), as pinturas mais antigas feitas pelo homem, há 30 mil anos, vistas em 3D (A Caverna dos Sonhos Esquecidos) – são visões surpreendentes sobre realidades quase impossíveis. Como apontou o estudioso Pietro Milan, a “poética extrema de Werner Herzog encontra no documentário uma dimensão ideal, feita de obsessões e temas recorrentes, nos quais o diretor alemão constrói sua peculiar visão pessoal do homem e da natureza”. Comprova-o magnificamente o recente e lírico filme destacado nessa sessão especial Eis os Delírios do Mundo Conectado. Como sugere o título, desta vez Herzog identifica e analisa delírios de todos nós, disparados pela tecnologia onipresente em nosso tempo.

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