6ª Mostra Ecofalante vai exibir panorama histórico da Amazônia com filmes dos anos 70 a início dos 90

Programa tem seleção inédita de filmes de André Luiz Oliveira, Cacá Diegues, Gustavo Dahl, Hector Babenco , Hermano Penna e Zelito Viana

Seis clássicos do cinema brasileiro de ficção, realizados entre 1974 e 1991, compõem o Panorama Histórico – A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro da 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.  As exibições acontecem de 1º a 14 de junho, com ingressos gratuitos, em diversas salas da cidade de São Paulo. Três dos diretores que assinam as obras estarão no festival e participam de um debate com o público no dia 1º de junho, às 19h20, no Cine Caixa Belas Artes. São eles André Luiz Oliveira, Hermano Penna e Zelito Viana. Também foram convidados Lauro Escorel, diretor de fotografia de dois filmes do programa, e Jorge Bodanzky, outro cineasta expoentes dessa geração.

Programação completa em www.ecofalante.org.br/mostra

Foi a urgência do tema que motivou a escolha do programa, “pela forma que a Amazônia está sendo explorada e pelos retrocessos em termos de legislação que estão acontecendo no país”, explica o diretor da Mostra, Chico Guariba. Partindo de uma pesquisa que levantou mais de 200 filmes sobre a região, nacionais e internacionais, a curadoria foi pelo caminho não convencional e fez uma seleção sem documentários. “É um recorte de filmes brasileiros de ficção que abordaram a exploração da Amazônia, feitos durante o regime militar e o período de redemocratização. Eles compõe uma visão audaciosa de problemas enfrentados até hoje, como o massacre das populações indígenas, o desmatamento, enfim, contradições que desde então ganharam uma escala absurda”, justifica o diretor.

Os filmes

A coprodução internacional Brincando nos Campos do Senhor (1991), de Babenco, tem no elenco Tom Berenger, John Lithgow e Daryl Hannah. Focaliza um casal de missionários que tenta catequizar índios na Amazônia e tem suas intenções afetadas por um mercenário descendente dos índios americanos. Em Bye Bye Brasil (1980), de Carlos Diegues, os atores José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr. e Zaira Zambelli compõem uma trupe de artistas ambulantes que viaja pelo interior do Brasil em um caminhão alegremente colorido, atravessando o vale do São Francisco, o litoral nordestino, o árido sertão da região, a selvagem rodovia Transamazônica e os caudalosos e perigosos rios Xingu e Amazonas.

Dirigido por Zelito Viana, Avaeté – Semente da Vingança(1985) focaliza um grupo de pistoleiros que, a mando de uma grande empresa, massacra uma aldeia inteira de índios para tomar posse das terras, na floresta amazônica. O longa-metragem tem no elenco Hugo Carvana, José Dumont, Cláudio Marzo, Renta Sorrah e Marcos Palmeira. Com Antonio Lerite, Marcélia Cartaxo, Fronteira das Almas (1987), de Hermano Penna, trata das dificuldades enfrentadas por um grupo de agricultores no interior de Rondônia. Acompanha os irmãos Cassiano, parceleiro do INCRA no estado, e Tião, posseiro no sul do Pará. Partindo dessas duas condições, o filme mergulha na realidade da ocupação amazônica promovida pelos governos militares. Realizado em 1986, o filme previu uma realidade que hoje continua a inquietar a todos – a questão fundiária na Amazônia.

Uirá, Um Índio em Busca de Deus (1974), de Gustavo Dahl, é baseado em livro de Darcy Ribeiro e acompanha trajetória de um membro da etnia Urubu-Kaapor na busca pela “terra sem males”. Por sua vez, José de Alencar foi a inspiração para A Lenda de Ubirajara (1975), no qual o diretor André Luiz Oliveira conta a história de Jaguarê, um famoso caçador da tribo dos Araguaias que, para se tornar guerreiro, precisa derrotar um poderoso inimigo. Ele parte de sua aldeia em busca de tal proeza e encontra Pojucã, da nação Tocantins, feroz matador de gente. Jaguarê vence Pojucã e se torna Ubirajara, o Senhor da Lança. Casa-se com Araci e, posteriormente, fica sabendo que ela é irmã̃ de Pojucã, a quem havia derrotado. A guerra entre as nações é inevitável.

Para o crítico José Geraldo Couto, que escreveu sobre o programa para o catálogo da 6ª Mostra, “sem os trabalhos destemidos e desbravadores desse Panorama Histórico, nosso conhecimento e nossa sensibilidade em relação ao mundo amazônico seriam bem mais pobres. A oportunidade de vê-los lado a lado, permitindo que iluminem uns aos outros, é um feliz acontecimento”. Leia na íntegra aqui.

A 6ª Mostra Ecofalante

A Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais. Uma centena de filmes compõe a programação de sua sexta edição. Dentre os destaques, uma homenagem ao cineasta Vincent Carelli (dos premiados “Corumbiara” e “Martírio”), sessão especial de “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, do diretor alemão Werner Herzog, a Mostra Contemporânea Internacional com sete eixos temáticos (alimentação & gastronomia, cidades, contaminação, economia, mudanças climáticas, povos & lugares e trabalho), a Competição Latino-Americana, com 32 títulos de sete países, e o Concurso Curta Ecofalante, de produções universitárias.

O circuito de exibição é integrado por 30 espaços culturais da cidade de São Paulo: Cine Reserva Cultural, Cine Caixa Belas Artes, salas do Circuito Spcine – Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Centro Cultural Cidade Tiradentes, Biblioteca Roberto Santos, e 15 CEUs (Centros Educacionais Unificados). Completam a lista as seguintes unidades das Fábricas de Cultura: Vila Curuçá, Sapopemba, Itaim Paulista, Parque Belém, Brasilândia, Capão Redondo, Jaçanã, Jardim São Luís e Vila Nova Cachoeirinha.

A 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é uma realização da ONG Ecofalante, do Ministério da Cultura, do Governo Federal e da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. É uma correalização da Spcine e da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Tem patrocínio da Sabesp e da Pepsico, com apoio da Goodyear, White Martins, Guarani – Mais que açúcar e do Instituto Clima e Sociedade. É possível graças à Lei de Incentivo à Cultura e ao Programa de Apoio à Cultura (ProAC).

O evento conta com o apoio institucional da Carbon Disclosure Program – CDP, Catraca Livre, Centro Brasil no Clima, ClimaInfo, Conexão Planeta, eCycle, Engajamundo, Fábricas de Cultura – Poiésis e Catavento, Governos Locais pela Sustentabilidade – ICLEI, GreenMe, Grupo de Institutos e Fundações de Empresas – GIFE, Horizonte Educação e Comunicação, Instituto Akatu, Instituto de Energia e Ambiente – IEE/USP, Instituto Democracia e Sustentabilidade – IDS, Instituto Envolverde, Instituto Socioambiental – ISA, Le Monde Diplomatique Brasil,  Observatório do Clima, Rede Nossa São Paulo, Revista Piauí, SOS Mata Atlântica, Uma Gota no Oceano, Videocamp, Viração Comunicação.

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