Mostra Ecofalante em Rio Preto reúne público de 28.500 pessoas com sessões de filmes e debates

Marina Vieira em colaboração com Agnes Rubinho

A primeira vez da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental no noroeste paulista foi um sucesso. Foram 14.500 pessoas que aproveitaram as sessões gratuitas de filmes em São José do Rio Preto e cerca de 14 mil que participaram dos debates, bate-papos e formação de professores. Foi também a maior itinerância numa cidade em número de filmes, sessões, debates e locais de exibição.

Os 53 filmes exibidos em Rio Preto ofereceram um amplo panorama das questões socioambientais mais urgentes do mundo retratadas pela sétima arte. Mudanças climáticas, vida nas cidades, o efeito de produtos químicos na saúde humana, agrotóxicos, agricultura familiar, indústria da moda, lixo e reciclagem, relações de trabalho, ativismo, recursos hídricos e energia são algumas delas.

“A mostra Ecofalante levou informação e conhecimento à população sobre as questões socioambientais. Isso é cidadania. Os debates por certo despertaram nos participantes a consciência crítica sobre a necessidade de valorizar e respeitar o meio ambiente na busca por um mundo melhor”, afirma o prefeito Edinho Araújo. O envolvimento da prefeitura e das secretarias contribuiu para o êxito do evento, mobilizando as escolas municipais para levarem seus alunos às sessões, disponibilizando espaços públicos e participando das discussões.

O prefeito Edinho Araújo com alunos de escolas públicas de Rio Preto, em sessão no Teatro Paulo Moura

Foram feitas 100 sessões de filmes, das quais 91 foram seguidas de debate.

Chico Guariba, diretor da ONG Ecofalante, conta que há vários anos queria levar a Mostra para o noroeste paulista. “O patrocínio da Açúcar Guarani, do Grupo Tereos, veio na hora certa. A cidade foi muito receptiva à proposta da Mostra. A parceria com prefeitura, Senac, Riopreto Shopping e TV Tem, e o apoio de várias outras instituições foram fundamentais para o sucesso dessa nossa primeira edição na cidade. Foi impressionante a adesão e o envolvimento das instituições e número de sessões e debates realizados”, comemora Guariba.

Por toda a cidade

A programação incluiu 18 locais de Rio Preto, cobrindo as principais zonas da cidade. Um lugar que concentrou grande parte das sessões abertas ao público foi o Senac, onde todos os filmes foram debatidos e tiveram tradução em Libras (língua brasileira de sinais). “A Mostra Ecofalante conseguiu num tempo recorde reunir as instituições públicas e privadas para oportunizar para a população uma série de filmes de muita qualidade e que, com certeza, mudam nosso jeito de olhar e se manifestar em relação às questões ambientais”, declara Luis Carlos de Souza, diretor do Senac em São José do Rio Preto.

Para Souza, os filmes provocam quando mostram a falta de consciência em relação à conservação ou uso sustentável do planeta, das mais variadas formas, ao mesmo tempo em que destacam uma série de iniciativas e práticas que podem mudar essa relação. “É preciso pensar nas gerações futuras, é preciso mudar de imediato”, continua o diretor. “Ouvir nossos alunos sobre a experiência foi surpreendente e com certeza teremos cidadãos mais conscientes a partir desse evento”, completa.

Alunos do SESI no debate após sessão de filme

O impacto dos filmes também foi percebido pela Associação Comercial – Acirp, que apoiou o festival e sediou exibição e debate de “O Custo do Transporte Global”, sobre a indústria do transporte marítimo. Marta Silva, responsável pelos Núcleos Setoriais da Acirp, aprovou o longa. “O filme trouxe uma visão que eu nem imaginava sobre o tamanho do mal que estamos fazendo ao nosso planeta. Para os empresários acho que foi de fundamental importância ter conhecimento para se mobilizarem e priorizar produtos brasileiros”, comentou Marta.

O planejamento e desenvolvimento de cidades, em especial Rio Preto, foi o tema da conversa na Câmara Municipal, após projeção de “A Escala Humana”. A mesa de debate foi composta pelo arquiteto e ex-secretário de planejamento de Rio Preto, Milton Assis, a arquiteta e ambientalista Maria Barbeiro, e o promotor de justiça Sérgio Clementino. O público fez perguntas sobre problemas atuais da cidade, como instalação de um novo terminal rodoviário no Centro.

No Riopreto Shopping aconteceu uma exposição de fotos dos filmes antes da Mostra começar, e o cinema de lá, normalmente voltado para produções comerciais, exibiu quatro filmes da Ecofalante. Dois foram sobre ativismo – “Malditas Barragens” (EUA, 2014), no qual pessoas lutam para restaurar o curso natural de rios represados, e “Substantivo Feminino” (Brasil, 2017), sobre mulheres pioneiras do ambientalismo no Brasil.

Exposição no Riopreto Shopping fez o esquenta para a Mostra na cidade

Chegando à periferia de Rio Preto, foram exibidos no CEU das Artes filmes brasileiros sobre reciclagem e a animação “Animais Unidos Jamais Serão Vencidos” (Alemanha, 2010), no qual animais da savana africana se juntam contra a construção de um resort e uma grande barragem.

Educação ambiental desde cedo

A maior parte do público foi das escolas. Somente na Etec foram 3.985 estudantes mobilizados, de Rio Preto e das cidades do entorno – Mirassol, Novo Horizonte, Catanduva, Jales e Monte Aprazível. “Foi uma experiência excepcional. Os alunos puderam contextualizar os ensinamentos que nós trabalhamos com eles em sala de aula. Também puderam presenciar, de maneira lúdica, todos os ensinamentos que nós compartilhamos com eles”, avalia Willians Pizolato, diretor da Escola Técnica Philadelpho Gouvêa Netto.

O Teatro Paulo Moura recebeu 3.526 alunos das escolas públicas do município. Eles assistiram ao infantil “Animais Unidos Jamais Serão Vencidos”. Rose Longhini, coordenadora do Complexo Swift de Educação e Cultura, do qual o teatro faz parte, agradece o envolvimento das pessoas. “A Mostra Ecofalante agrega conhecimento aos nossos alunos, despertando consciência crítica de forma agradável, pois os filmes são muito bons. O planeta agradece e nós, educadores, agradecemos mais ainda!”, afirma.

Larissa Lucena, agente de atividades culturais do Sesi Rio Preto, conta que os filmes sensibilizaram os estudantes. “Foi perceptível, através das discussões realizadas, que cada aluno se sentiu envolvido com as causas socioambientais, à sua maneira, tornando-o sujeito na construção do seu conhecimento”, declara. Ela também avalia que os professores foram peças fundamentais no processo, servindo como ponte que interliga o conhecimento inicial do aluno aos temas inseridos nos vídeos, instigando-os a refletir e expor seus pontos de vista.

Estudantes chegando na sessão no CEU das Artes

Ensino superior voltado para a sustentabilidade

As instituições de ensino superior foram outro local importante de reflexão e debate. Envolveram futuros profissionais de áreas diversas, entre elas, saúde, agronomia, administração, pedagogia, gestão ambiental e comunicação.

Para Sidney Olivio, professor da Unesp de Rio Preto, garantir a sustentabilidade é assegurar a continuação da vida humana. “A mostra foi uma ferramenta esplêndida para proporcionar discussões sobre temas prementes, relacionados ao meio ambiente e às pessoas que interagem com o mesmo, e sua manutenção é condição sine qua non* para o futuro das gerações”, declarou Olivio.

Além dos lugares citados, receberam sessões da Mostra o Centro Integrado de Educação – CIECC, a Famerp, a Unesp, a Unorp, a Praça da Figueira (ao ar livre), os colégios Santo André e São José, a Fatec, o Senai e o Serviço Social São Judas Tadeu.

Realização

A Mostra Ecofalante em São José do Rio Preto é uma realização da ONG Ecofalante, do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria de Cultura, patrocinada pela Guarani – Mais que Açúcar (Grupo Tereos), com apoio da Prefeitura de São José do Rio Preto, Riopreto Shopping, Senac e TV Tem. Com apoio institucional da Acirp, Câmara Municipal, Colégio Santo André, Colégio São José, Centro Paula Souza, FAMERP, Ibilce/ Unesp, Senai, Serviço Social São Judas Tadeu, Sesi e Unorp. A produção é da DOC e Outras Coisas e coprodução da Atividades Culturais Paratodos.

* latim: indispensável

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